Em Buenos Aires, Malba dobrará área expositiva e ganhará 1.230 obras
Projeto prevê novas salas e espaços multiuso, além da chegada de obras de Frida Kahlo e Diego Rivera e de um fundo de mais de R$ 250 milhões para o museu
Em comemoração aos 25 anos de trajetória, o Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires) anunciou um projeto de ampliação que dobrará as áreas expositivas do museu.
Criado pelo empresário e colecionador argentino Eduardo Costantini em setembro de 2001, o endereço também entra em uma nova etapa com a chegada de mais de mil obras de mais de 100 artistas latino-americanos, incluindo nomes brasileiros como Lenora de Barros, Lygia Clark, Nelson Leirner, Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Vik Muniz.
Para garantir a continuidade financeira e o futuro do museu, foi revelada a criação de um fundo com investimento inicial de US$ 50 milhões (mais de R$ 256 milhões), com recursos do fundador do museu.
Novas áreas do Malba

A inauguração das novas alas do museu está prevista entre o fim de 2029 e o começo de 2030. O projeto pretende dobrar as áreas expositivas do endereço, ampliando os espaços no subsolo da praça pública em frente ao Malba, a Plaza República del Perú.
Serão acrescentadas novas salas para exposições temporárias, um auditório, espaços multiuso, uma praça-pátio externa, oficinas, áreas de armazenamento e escritórios.
O escritório de arquitetura responsável pelo projeto é o Frida Escobedo Studio, com sede em Nova York e no México, que atualmente está à frente da renovação do Centre Pompidou, em Paris; da Ala de Arte Moderna e Contemporânea do Metropolitan Museum of Art de Nova York (MET); e do novo complexo que abrigará a sede do Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Segundo a arquiteta Frida Escobedo, a ampliação do Malba tem a intenção de aproximar o museu da cidade. O edifício atual será conectado aos novos espaços debaixo da praça sem reduzir a área aberta do parque.

O projeto prevê ainda ambientes para cinema, literatura, educação e eventos, com auditórios e espaços multiuso que poderão funcionar de maneira independente do restante do museu.
A ampliação do Malba é planejada há mais de uma década. Em 2011, foi apresentada uma proposta para acrescentar cerca de 3.840 m² aos 7.455 m² existentes, e a obra recebeu autorização no ano seguinte. Porém, o edifício passou por apenas uma intervenção, em 2017, no térreo.
A ampliação será viabilizada mediante um acordo que concede ao museu o uso da Plaza Perú por 30 anos.
Novas obras de arte
Cerca de 1.232 obras de 117 artistas latino-americanos foram doadas ao Malba e farão parte do museu portenho. As obras são provenientes da Coleção Daros Latinamerica, adquirida em janeiro de 2026 pelo fundador do museu, Eduardo Costantini.
Fundada em 2000, a coleção tem sede na Suíça e abrange diferentes mídias e gêneros, com trabalhos produzidos principalmente entre as décadas de 1950 e 2010. Entre os artistas representados estão nomes como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Vik Muniz, Julio Le Parc, Alfredo Jaar, Mira Schendel, Ana Mendieta, Ernesto Neto, Leandro Erlich e Doris Salcedo, para citar alguns.
Outras 17 obras de arte moderna latino-americana da coleção pessoal de Costantini serão doadas ao Malba. Avaliadas em milhões de dólares, as obras abrangem a autoria de nomes como Frida Kahlo, Diego Rivera, Victor Brecheret, Maria Martins e Vicente do Rego Monteiro.
Entre as obras, destacam-se "Diego y yo" (1949), de Frida Kahlo, o último autorretrato pintado pela artista mexicana antes de sua morte; "Baile en Tehuantepec" (1928), de Diego Rivera, considerada uma das mais importantes pinturas de cavalete do artista; e a pintura "Las distracciones de Dagoberto" (1945) e a escultura "La Grande Dame" (1951), da artista surrealista Leonora Carrington.
Entre os destaques brasileiros estão as esculturas "Pudor" (1922) e "Tocadora de banjo" (1925), de Victor Brecheret, a escultura "Cobra grande" (1943), de Maria Martins, e a pintura "O urso" (1925), de Vicente do Rego Monteiro.
A coleção de arte latino-americana moderna e contemporânea do museu começou em 2001, com 223 obras doadas por Costantini. Hoje, o acervo reúne cerca de três mil obras e inclui trabalhos emblemáticos como "Abaporu" (1928), de Tarsila do Amaral; "Metaesquema" (1958), de Hélio Oiticica; "La mañana verde" (1943), do cubano Wifredo Lam; e "Autorretrato con chango y loro" (1942), de Frida Kahlo.
Para garantir o funcionamento futuro da instituição, Costantini anunciou a criação do Malba Art Trust, um fundo com capital inicial de US$ 50 milhões (cerca de R$ 256 milhões). Segundo o Malba, o fundador contribui com entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões (entre R$ 15 e R$ 20 milhões) por ano para cobrir o déficit do museu.

O Malba funciona às segundas-feiras, das 12h às 20h; às quartas, das 11h às 20h; e de quinta a domingo, das 12h às 20h. O museu fecha às terças-feiras. A entrada custa 14 mil pesos argentinos (cerca de R$ 46) para o público geral, com tarifa reduzida de 7 mil pesos (aproximadamente R$ 23) às quartas-feiras.
Além da sede no bairro de Palermo, o Malba conta com uma segunda unidade, o Malba Puertos, inaugurada em 2024 em Belén de Escobar, a cerca de 50 km de Buenos Aires. À beira de um lago, o espaço ocupa mais de 5 mil m² e reúne três pavilhões, três praças, áreas expositivas internas e externas e um circuito de arte pública. O complexo também oferece café, oficinas, exibição de filmes e visitas guiadas. A entrada é gratuita.


