Novo em Buenos Aires, Chuchú tem tudo para virar seu restaurante coringa

Menu democrático, clima leve e localização estratégica fazem da casa um acerto imediato

Tina Bini, do Viagem & Gastronomia
Compartilhar matéria

Tem restaurantes que convidam à reflexão: a gente vai para analisar, decifrar, descobrir novos sabores. E tem aqueles que cumprem outro papel, igualmente valioso: servir o que já sabemos que gostamos, com sabores familiares e reconfortantes. O Chuchú, novo endereço de Facundo Kelemen em Buenos Aires, se encaixa com naturalidade nessa segunda categoria.

Recém-aberto no bairro do Retiro, o lugar já nasce com uma proposta clara: ser fácil. Fácil de gostar, fácil de pedir, fácil de voltar. O menu segue essa lógica sem rodeios, com uma lasanha parruda (cerca de R$ 137); clássicos como milanesa de bife de chorizo (cerca de R$ 132) ou filé mignon servido com molho cremoso de pimenta-do-reino (cerca de R$ 143); saladas como a de cuscuz com vegetais grelhados na parrilla (cerca de R$ 70), fritas crocantes (cerca de R$ 40) e uma carta de vinhos bem resolvida. Não há firulas, mas há técnica.

Não à toa, apesar de novíssimo, basta passar por lá no almoço para encontrar o salão cheio. Mesas ocupadas por quem trabalha na região, entre engravatados e portenhos em busca de uma boa refeição.

Por trás está o mesmo nome do Mengano, casa que colocou Kelemen no mapa internacional com reconhecimento do Guia Michelin e presença no Latin America’s 50 Best Restaurants. Aqui, no entanto, o movimento é outro. Menos autoral, mais cotidiano. Um cardápio que conversa com todo mundo e onde qualquer pessoa, de qualquer lugar, encontra algo que agrada de imediato.

"Costumam dizer que primeiro é preciso dominar os clássicos para depois reinterpretá-los. Eu comecei ao contrário", diz o chef, que deixou o Direito para se dedicar à cozinha e passou por restaurantes como Estela e Atera, em Nova York.

A mudança aparece não só no prato, mas também na atmosfera. O ambiente é descontraído, com mesas ao ar livre e trilha animada, convidando a refeições sem cerimônia. Ao mesmo tempo, há uma camada de conceito que amarra o projeto: referências ao universo ferroviário surgem em diferentes detalhes, dos pratos à prateleira sobre o balcão, passando pela entrada que remete a uma placa de estação. Até o nome entra na brincadeira, aqui não tem nada a ver com o legume (que em espanhol é chayote). O "Chuchú" do restaurante faz referência ao som do trem, quase onomatopeico, e não é por acaso, uma vez que está localizado ao lado do Museu Nacional Ferroviário. Um conjunto que constrói identidade sem ficar caricato.

Em plena região de Retiro, perto de pontos como a Plaza San Martín e o edifício Kavanagh, o Chuchú se insere em um momento de retomada do bairro, que volta a atrair novos olhares, investimentos e, automaticamente, turistas.

Chuchú: Avenida del Libertador 405, Retiro - Buenos Aires - Argentina / Funcionamento: todos os dias, das 12h às 15h.

Acompanhe Gastronomia nas Redes Sociais