Exposição de Rembrandt em São Paulo reúne gravuras de quase 400 anos

Com entrada gratuita, mostra na Caixa Cultural reúne 69 gravuras originais do pintor holandês e combina sala imersiva com projeções e hologramas

Saulo Tafarelo, do Viagem & Gastronomia
Compartilhar matéria

A partir de 29 de julho, o Centro Histórico de São Paulo recebe obras com mais de 360 anos do pintor holandês Rembrandt van Rijn (1606–1669), que revolucionou o uso da luz e da sombra na arte. Após acumular 235 mil visitantes em passagens por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória, "Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra" desembarca na Caixa Cultural São Paulo com entrada gratuita até 27 de setembro.

Ao todo, estão reunidas 69 gravuras originais produzidas entre 1629 e 1665, entre elas "A Descida da Cruz" (1633), "O Retorno do Filho Pródigo" (1636) e "Três cabeças de mulheres, uma dormindo" (1637). Algumas são bem diminutas, do tamanho da palma de uma mão, cujos detalhes podem ser ampliados com auxílio de uma lupa.

As obras estão divididas em dois eixos centrais: o Divino, que reúne obras de arte sacra, nas quais a religiosidade está muito presente; e o Humano, que revela a visão do artista do mundo, incluindo paisagens, pessoas comuns e retratos.

"Muitos dos retratos não tinham um valor comercial para o artista, mas se tornaram registros fantásticos da época em que vivia", conta Marcelo Lages, responsável pela direção artística da mostra. A curadoria é do historiador italiano Luca Baroni.

Além das duas divisões centrais, a Sala Rembrandt abriga obras específicas e pessoais do artista, incluindo o "Autorretrato com Saskia" (1636), gravura em que o mestre holandês se retratou ao lado da esposa, Saskia van Uylenburgh.

Imersão no universo de Rembrandt

O espaço expositivo segue uma narrativa visual inspirada no contraste entre claro e escuro. "Ele foi o grande mestre que percebeu que a luz e a sombra davam a dramaticidade e o dinamismo que a obra precisava. Pensamos a parte expográfica no mesmo formato e recriamos esse universo na tonalidade de luz em que ele vivia na época. Foram feitos pontos de luz especiais para isso", explica Marcelo.

Assim, cada obra recebe uma iluminação direcionada. "Não é o ambiente que é iluminado, mas sim a obra", ressalta o diretor artístico.

Logo que o público entra na mostra, a primeira etapa é entender como as obras foram criadas. Um vídeo apresenta as técnicas, os materiais utilizados pelo artista e o processo que o levou ao resultado. A gravura não era usada por Rembrandt apenas para reproduzir pinturas, mas como um suporte de experimentação e criatividade, onde dava vazão ao pensamento criativo.

O fim da mostra conta com uma sala imersiva com projeções, funcionando como um contraste e um complemento às gravuras de três séculos. Ali, o público encontra obras ampliadas em uma projeção mapeada, assim como uma representação holográfica de Rembrandt. Para Marcelo, essas imersões tecnológicas são as "cerejinhas do bolo".

A projeção mapeada nasce da necessidade de ampliarmos as obras. Quando ampliamos, vemos o traço preciso de Rembrandt, risquinho por risquinho. A técnica aparece. Com a tecnologia, temos uma visão além da lupa
Marcelo Lages, diretor artístico da mostra

Bastidores da mostra

Para Luca Baroni, curador da exposição, Rembrandt olhava para o mundo com uma atenção especial. "Suas obras não idealizam a realidade: elas se aproximam dela com clareza e respeito, reconhecendo a complexidade, a fragilidade e a dignidade até mesmo nas situações mais comuns", destaca.

Segundo Marcelo Lages, as obras deixaram museus e coleções particulares na Europa acondicionadas em estojos especiais equipados com amortecimento por ar comprimido, que minimizam as trepidações e possíveis danos no transporte. Ao chegarem a cada destino no Brasil, passaram por uma nova inspeção: um museólogo analisou cada peça individualmente para verificar se houve qualquer alteração no estado de conservação.

Além das mostras temporárias, o endereço no centro da capital paulista mantém salas e antigos escritórios que funcionavam quando o prédio abrigava uma agência bancária da Caixa. A visita gratuita pode ser uma oportunidade de conhecer a exposição permanente do Museu da Caixa, que reúne mobiliário, objetos, fotografias e ambientes preservados desde a inauguração do Edifício Sé, em 1939.

Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra
Caixa Cultural São Paulo; Praça da Sé, 111, Centro – São Paulo, SP, próxima à estação Sé do metrô / De 29 de julho a 27 de setembro de 2026 / Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 18h / Entrada gratuita.

 

Acompanhe Viagens e Turismo nas Redes Sociais