Como surgem os shows da Disney? Diretor revela bastidores
Ouvir diferentes vozes e transformar famílias em peças ativas das narrativas estão entre as estratégias da equipe criativa por trás dos espetáculos do Walt Disney World Resort, em Orlando

Projetos colaborativos e inclusão são pilares que têm guiado a criação dos shows no Walt Disney World Resort, em Orlando, nos Estados Unidos. As pitadas de magia vêm de mãos humanas e atendem por um nome: Tom Vazzana, diretor de desenvolvimento de entretenimento ao vivo do resort. Ele lidera um grupo de profissionais responsável por dar vida a espetáculos que completam a experiência nos parques temáticos.
"Eu tenho o melhor emprego do mundo", disse em uma sala repleta de jornalistas no começo do mês. Com uma presença bem-humorada impossível de passar despercebida, Tom desembarcou em São Paulo para estreitar os laços da Disney com o Brasil. Em suas apresentações, aproveitou para revelar os bastidores do "lugar mais mágico do mundo".
"Lidero um grupo de pessoas responsável por desenvolver o mais incrível e inclusivo material do mundo. Colaboramos em todos os aspectos dos projetos para termos certeza de que estamos sendo relevantes para o público e que culturas não estão sendo excluídas. Defendemos a diversidade em nossos shows e ainda temos muito pela frente", pontuou.
Os resultados de seu trabalho podem ser observados em espetáculos amados pelos visitantes do complexo, como o "Fantasmic!", no Disney’s Hollywood Studios. Performado desde 1998, o show foi atualizado em 2022 para adicionar narrativas das personagens Pocahontas, Mulan, Alladin, Elsa e Moana.
A nostalgia das crianças ainda nem começou a se consolidar. As famílias devem viver a nostalgia juntas. Nossos shows devem ser divertidos, fantásticos, artísticos e grandes. Mas quando você vai para casa, qual é a discussão da mesa de jantar? Acredito que essa é uma ferramenta que a Disney tem: a de ajudar nossos visitantes a viver suas versões autênticas e inclusivas
Para 2025, Tom conta que as lideranças do Walt Disney World queriam um renascimento, deixando os personagens da companhia mais acessíveis. Foi a vez de estrear espetáculos já muito comentados, como o "Disney Villains: Unfairly Ever After" e o "The Little Mermaid – A Musical Adventure!", ambos no Disney’s Hollywood Studios, e a inédita parada noturna "Disney Starlight", no Magic Kingdom Park, o parque temático mais visitado do mundo.
Para 2026, Tom e sua equipe têm preparado atrativos focados nas famílias, com estreias esperadas no Disney’s Animal Kingdom e no Disney’s Hollywood Studios. "O que estamos fazendo é criar shows para que as famílias se divirtam com as crianças. Brincando com elas, tirando-as dos telefones e colocando-as como parte da magia e do storytelling", explicou o diretor.
Da Broadway a Orlando

Com raízes em Nova York, Tom trabalhou como ator em algumas montagens da Broadway, a exemplo do musical "Annie". Mas foi em "Evita" que aprendeu a se conectar com a plateia em um nível emocional. Mais do que fazer parte das produções, queria estar à frente delas, dirigindo-as.
As mudanças feitas há cerca de cinco anos no "Fantasmic!" são reflexo disso. "A pandemia nos deu uma oportunidade para olhar o que estava errado. Nesse caso, a história de Pocahontas estava sendo contada através da lente do personagem John Smith. O que eu queria fazer era contar a história da Pocahontas através da perspectiva dela mesma. Contávamos uma história romantizada que não era exata. Estávamos orgulhosos, mas por que mostrar isso ao invés de arrumá-la? É nosso papel como pessoas em cargos de liderança", categorizou.
Sob sua liderança, Tom conta que os shows surgem depois que coloca várias vozes em uma mesma sala. Além do time criativo, o segredo é reunir profissionais das mais diversas áreas para um brainstorming, desde estagiários e designers até funcionários dos departamentos de engenharia, eletricidade, projetistas, marketing e relações públicas.
Ser autêntico e mágico é melhor do que apenas ser mágico
O ano de 2025 foi marcado pela estreia do primeiro espetáculo musical do resort dedicado aos vilões da Disney. "Não queríamos um show em que eles falassem o quanto são maus. E se fizéssemos um show em que se sentissem mal-entendidos? Uma pessoa que não fazia parte do time criativo deu a ideia: e se eles usassem o espelho mágico como uma forma de passarem do reino deles para o outro lado?"
Assim, Cruella de Vil, Capitão Gancho e Malévola, entre outros, protagonizam o "Disney Villains: Unfairly Ever After", espetáculo repleto de ação e efeitos especiais.
A tecnologia, inclusive, pauta completamente outra novidade, o reimaginado "The Little Mermaid – A Musical Adventure", no Disney’s Hollywood Studios. A apresentação tem apenas dois atores de carne e osso, que representam Ariel e o Príncipe Eric. Todo o resto é composto por marionetistas.
A "mágica" acontece com ajuda de luz negra, que faz aparecer e desaparecer elementos do cenário, assim como cinco camadas de telas imperceptíveis aos olhos da plateia, tornando possível a reprodução do fundo do mar sem que os visitantes se molhem.

Em julho passado, a tempo das férias de verão, o Magic Kingdom Park colocou na Main Street o "Disney Starlight", uma inédita parada noturna baseada em caminhos que se iluminam. Clássicos como Pinóquio e Peter Pan estão presentes ao lado de personagens de "Encanto", "Frozen" e "Moana". O projeto nasceu após ideias trocadas entre quatro grupos supervisionados por Tom. "Chamo isso de ‘Bake Off’. Quem vai fazer o melhor bolo?", brincou o diretor.
O que esperar para 2026
Para o futuro breve, o denominador comum é o foco em shows que podem ser apreciados por gerações distintas, mas sempre juntas. No fim de maio, o Disney’s Animal Kingdom dará as boas-vindas ao Bluey’s Wild World at Conservation Station.
"Há espetáculos em que as pessoas assistem e interagem. Nesse show, as pessoas estarão ali para brincar. É um atrativo indoor e também uma área para que os pais relaxem e tenham um tempo de qualidade brincando com os filhos", comentou Tom.
No mesmo mês, o Disney’s Hollywood Studios estreia um espetáculo com Mickey e Minnie. Batizado de "Disney Jr. Mickey Mouse Clubhouse Live!", o show será uma verdadeira festa para crianças. "Não há assentos. É para as pessoas ocuparem o espaço, ficarem de pé e dançarem".
Em um mundo hiperconectado, um dos desafios é manter crianças e adultos entretidos além das telas. Porém, ao invés de reprimir os celulares, Tom quer usá-los a seu favor, adicionando experiências digitais enquanto os visitantes aguardam na fila.
"Sabemos que as pessoas estão tão imersas nas telas que decidimos nos juntar a elas. Soltamos conteúdos para que as famílias tenham algo para fazer baseado no show. Esperar não é mais apenas esperar, mas uma experiência que te prepara para a próxima experiência", enfatizou o diretor, que afirmou estar trabalhado em um projeto para ativar celulares durante espetáculos, assim como já acontece com as pulseiras MagicBands.

Para o verão, o Disney’s Hollywood Studios inaugurará o "Magic of Disney Animation", experiência familiar que recria a sede dos estúdios da Disney na Califórnia. Assim, os visitantes poderão mergulhar no processo criativo do setor de animação da empresa de uma forma divertida.
"Criamos seções onde você pisa na cena e as coisas acontecem. Personagens como Rapunzel, Mulan, Tico e Teco, Pato Donald, Margarida, Pateta e Stitch ganharão vida em ambientes imersivos. Teremos ainda um playground baseado em ‘Alice no País das Maravilhas’". O novo atrativo também trará de volta o icônico Chapéu de Feiticeiro do Mickey, que havia sido retirado do parque em 2015.


