Masp ganha passagem subterrânea de 50 metros com obra de Beatriz Milhazes
Novo túnel conecta os dois edifícios do museu e abriga "Pietrolina", pintura inédita da artista brasileira com arabescos e elementos do Carnaval

Firmando-se como um complexo cultural em plena Avenida Paulista, o Masp – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura nesta sexta-feira (11) uma passagem subterrânea de 50 metros que conecta os dois edifícios do endereço: o Lina Bo Bardi e o Pietro Maria Bardi, este último aberto em março de 2025.
Em obras desde 2023, a estrutura é a primeira dessa escala em um museu na América Latina e abriga uma pintura inédita da artista brasileira Beatriz Milhazes.
Além de viabilizar o deslocamento de obras e equipamentos, a passagem funciona como uma instalação imersiva que acompanha o percurso do visitante. A obra de Milhazes tem, ao todo, 98 metros, composta por uma pintura de 60 metros paralela a elementos reflexivos posicionados em uma parede de 38 metros.
"Pietrolina", de Beatriz Milhazes
Desenvolvida especialmente para a passagem subterrânea, a obra é batizada de "Pietrolina", uma homenagem e uma junção dos nomes de Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, casal fundador do Masp.

O projeto foi desenvolvido ao longo de mais de dois anos, enquanto a execução da pintura na passagem levou cerca de três meses. O resultado remete ao ritmo e à estética dos desfiles de Carnaval, incorporando características marcantes da produção de Milhazes, como arabescos, listras, formas orgânicas e motivos florais.
Segundo o Masp, o trabalho nasceu de um desenho e, depois, passou por um estudo cromático que resultou em uma paleta de 33 tintas acrílicas, usadas para reproduzir as cores da ideia original.
O mural no subsolo estabelece um diálogo com a obra "Avenida Paulista" (2020), também de autoria de Milhazes, que passou a integrar o acervo do Masp por ocasião da maior retrospectiva já dedicada à produção da artista. Inaugurada em dezembro de 2020, a mostra reuniu mais de 170 obras e apresentou um amplo panorama da trajetória de Milhazes.

Artista brasileira de projeção internacional
Com uma trajetória que ultrapassa quatro décadas, Milhazes consolidou uma linguagem visual própria e se tornou uma das artistas brasileiras mais reconhecidas no cenário internacional. Ela está entre as 10 artistas brasileiras contemporâneas que você precisa conhecer, segundo seleção do CNN Viagem & Gastronomia.
Natural do Rio de Janeiro, a artista tem obras que integram acervos de instituições como o MoMA – Museum of Modern Art, nos Estados Unidos; Tate Modern, no Reino Unido; Centro Georges Pompidou, na França; e o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, na Espanha.
No Brasil, além do Masp, alguns de seus trabalhos fazem parte das coleções da Pinacoteca de São Paulo e do MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, que reabre ao público no sábado (12) após dois anos de obra no Parque Ibirapuera.
Sua produção é marcada por referências do modernismo brasileiro e elementos associados à cultura e ao cotidiano do país, como flores tropicais, Carnaval, arabescos e padrões ornamentais. Muitas das formas que aparecem em suas telas partem de referências populares, como papéis de bombom, fitas decorativas, rendas e ornamentos domésticos, que são transformados em composições vibrantes.
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP / Tel.: (11) 3149-5959 / Horários: terças, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta, das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas / Ingressos por R$ 85 (inteira) e R$ 42 (meia), com gratuidade às terças-feiras e a partir das 18h às sextas-feiras / Mais informações no site.


