Montanha-russa de madeira do Hopi Hari será híbrida; entenda

Trilho de madeira da Montezum deverá ser substituído por trilho de aço; projeto deve suavizar experiência, com primeira fase avaliada em R$ 20 milhões

Saulo Tafarelo, do Viagem & Gastronomia
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A Montezum, montanha-russa de madeira do parque temático Hopi Hari, no interior de São Paulo, passará por mudanças a partir do fim de 2026. A atração será convertida em uma montanha-russa híbrida, ou seja, continuará com estrutura de madeira, mas os trilhos serão de aço, proporcionando uma experiência mais suave, rápida e radical.

Segundo comunicado, não haverá mudanças no trajeto do atrativo, que possui um quilômetro de extensão, pico de 42,4 metros de altura e velocidade máxima de 103 km/h. Os carrinhos da atração serão novos, com "design inovador, monitoramento de travas e distâncias entre eixos menores, trazendo maior conforto no percurso", destaca Mariana Mello, diretora de Marketing do Hopi Hari.

Atualmente, a Montezum é a maior montanha-russa de madeira da América Latina e a quarta maior do mundo.

Como serão as mudanças

O processo de hibridização da Montezum ocorrerá em quatro fases. A primeira tem início previsto para o fim de 2026, com retorno do funcionamento da atração no início de 2027.

Nesta primeira fase, estimada em R$ 20 milhões, haverá a troca dos trilhos de madeira para trilhos de aço em duas seções no final da montanha-russa: na curva de 360 graus (chamada de Helix) e na curva da estação, além de ajustes no trecho entre o Helix e a estação.

Outras mudanças previstas na fase 1 são:

  • Troca e instalação de dois novos trens;
  • Troca do sistema de tração e posicionamento do trem;
  • Ajustes gerais no sistema de comando para controle e monitoramento das travas, bem como ajustes nos portões de embarque.

As modificações estão em fase de projeto e ainda não há informações sobre as próximas etapas. O nome da fabricante de trilhos, estruturas e trens que atuará no processo será revelado em breve, segundo o parque.

A Montezum foi inaugurada junto do Hopi Hari, em Vinhedo (SP), em novembro de 1999. Foi construída com 690 toneladas de madeira ao longo de 18 meses pela antiga empresa norte-americana RCCA (Roller Coaster Corporation of America).

O percurso total dura 58 segundos e a montanha-russa continua como uma das atrações mais procuradas do endereço, que no ano passado apareceu como o quarto parque temático mais visitado da América Latina, com 1,29 milhão de visitantes.

Montanhas-russas híbridas

Nos últimos anos, algumas montanhas-russas de madeira nos Estados Unidos se tornaram híbridas. Entre os casos mais notáveis há a Iron Gwazi, no Busch Gardens Tampa Bay, na Flórida, e a Steel Vengeance, no Cedar Point, no estado americano de Ohio.

Aberta em 1999, a Gwazi era uma montanha-russa de madeira no estilo "duelo", com dois trilhos separados que competiam entre si. Em 2022, reabriu totalmente repaginada como Iron Gwazi, com apenas um trilho de aço. É a montanha-russa híbrida mais alta, mais rápida e mais íngreme da América do Norte, com pico de 62 metros, 91 graus de inclinação e velocidades de 122 km/h. Também foram adicionadas três inversões ao longo do trajeto.

Antes, a Steel Vengeance acumulava alguns desses recordes. Reaberta em 2018 como uma montanha-russa híbrida, a atração original havia sido inaugurada em 1991 com o nome de Mean Streak. Além do trilho de madeira, a versão anterior tinha uma queda de 49 metros, nenhuma inversão e os carrinhos atingiam 105 km/h. Agora, a montanha-russa possui pico de 62 metros, quatro inversões e velocidades que chegam a cerca de 120 km/h.

Ambas as atrações foram remodeladas pela Rocky Mountain Construction (RMC), fabricante baseada nos Estados Unidos que se transformou em sinônimo na hibridização de montanhas-russas de madeira. A empresa trabalha com a tecnologia I-Box, um trilho patenteado feito exclusivamente de aço que promete uma experiência mais suave, mas não menos radical, com adição de curvas mais fechadas, manobras mais arrojadas e até inversões.

Segundo a RMC, a tecnologia também diminui a manutenção contínua e tem maior durabilidade. Além de reformular montanhas-russas já existentes, a tecnologia pode ser usada para construção de novas atrações, a exemplo da Zadra, no parque Energylandia, na Polônia, a primeira montanha-russa a ser erguida do zero com o sistema I-Box.

 

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