Na Itália, ilha paradisíaca quase não recebe turistas; conheça Palmarola

Sem estradas, eletricidade ou rede de celular, esta pequena ilha oferece uma experiência única de desconexão a poucos quilômetros de Roma

Silvia Marchetti, da CNN
Palmarola italia
Ilha próxima a Roma, na Itália, só tem um restaurante  • Luigi Trame/Wikimedia Commons
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Palmarola não tem cidade nem estradas. Não há eletricidade, cobertura de telefone celular ou terminal de balsas. Na maioria dos dias, a única forma de chegar à ilha é por meio de pequenas embarcações partindo de Ponza, a cerca de oito quilômetros através do Mar Tirreno.

A ilha fica a oeste de Roma, próxima o suficiente para ser alcançada em uma viagem de um dia, mas distante o bastante para que o tráfego, as multidões e o movimento constante da capital italiana pareçam estar em outro planeta.

Enquanto os fóruns, fontes e praças de Roma atraem milhões de visitantes, Palmarola permanece praticamente ausente dos roteiros turísticos. Muitos turistas nunca ouviram falar dela. Muitos romanos nunca a visitaram.

O que atrai as pessoas que fazem a travessia não é a infraestrutura ou a conveniência, mas justamente a ausência de ambas. Palmarola emerge abruptamente da água em penhascos vulcânicos, entrecortados por cavernas marinhas e enseadas estreitas. Há apenas uma praia, uma rede de trilhas que levam ao interior e poucos sinais de desenvolvimento moderno.

Para chegar à ilha partindo de Roma, é necessário pegar um trem até o porto de Anzio, uma balsa até Ponza e depois negociar com um pescador ou proprietário de barco particular para conseguir transporte nos dois sentidos. Sem moradores permanentes, Palmarola é um destino mais moldado pelo clima, geologia e estações do ano do que pelo turismo.

Existe apenas um restaurante, o O'Francese, que serve peixes frescos e aluga um número limitado de quartos básicos esculpidos em antigas grutas de pescadores ao longo dos penhascos. Os hóspedes fazem reservas com meses de antecedência e se hospedam em regime de pensão completa, com diárias começando em 150 euros (cerca de R$ 934).

Maria Andreini, uma profissional de TI de 44 anos que trabalha remotamente em Treviso, no norte da Itália, visita Palmarola todo verão com seu marido Mario, gerente de banco, e seu filho Patrizio, de 15 anos.

"Há tanto, e tão pouco, para fazer", ela diz. "Passamos nossos dias fazendo snorkel e tomando sol na praia em frente ao restaurante, feita de seixos de coral rosa. À noite, nos deitamos na praia para observar as estrelas e caminhamos com lanternas. Ao amanhecer, os proprietários nos acordam para uma caminhada até o pico mais alto da ilha para admirar o nascer do sol. É deslumbrante."

Ruínas antigas

Trilhas partem da praia em direção ao interior, subindo até as ruínas de um mosteiro medieval e os vestígios de um assentamento pré-histórico.

"Para o jantar, comemos peixe fresco direto da rede. Durante uma semana inteira, nos sentimos como se estivéssemos vivendo uma experiência primitiva de náufragos, um pouco como os Flintstones de férias", diz Andreini, que aconselha os visitantes a trazerem botas de caminhada junto com as roupas de praia.

Ela conta que já viajou muito, incluindo as Maldivas, mas considera Palmarola incomparável. Sua paisagem é "hipnotizante", acrescenta, "e está no meu quintal — a Itália. É difícil acreditar que temos um lugar tão fantástico".

Além da praia principal, o litoral da ilha é melhor explorado de bote. Os penhascos formam pilares rochosos, túneis e grutas, e as águas ao redor atraem praticantes de snorkel, canoístas e mergulhadores. Os únicos animais que os visitantes provavelmente encontrarão em terra são cabras selvagens, que se abrigam entre as palmeiras baixas que dão nome à ilha.

"É uma viagem de volta aos tempos pré-históricos, quando os homens das cavernas vinham aqui em busca da preciosa pedra de obsidiana preta, ainda visível nas listras negras do penhasco, usada para fazer armas e utensílios", conta à CNN o historiador local Silverio Capone. "Muito pouco mudou na paisagem desde então".

Capone vive em Ponza, a ilha mais próxima e ponto de partida para Palmarola, que ele visita regularmente, às vezes deixando seu filho adolescente para um fim de semana de acampamento selvagem com os amigos. Ele diz que a ilha permaneceu desabitada por muito tempo.

"Palmarola sempre foi uma ilha deserta, é isso que a torna especial", diz ele. "Os antigos romanos a usavam como posto estratégico de observação marítima no Mar Tirreno para sua frota imperial, mas nunca a colonizaram".

Um ritual sagrado

A propriedade da ilha remonta ao século XVIII, quando famílias napolitanas enviadas para colonizar Ponza receberam permissão para dividir Palmarola entre si. Atualmente, a ilha é de propriedade privada, dividida em várias parcelas pertencentes a famílias que ainda residem em Ponza.

No alto dos penhascos, pequenas cavernas foram convertidas em moradias simples, algumas pintadas de branco e azul. Historicamente, os pescadores as utilizavam como abrigo durante as tempestades, e muitos proprietários ainda mantêm suprimentos estocados caso as condições climáticas impeçam o retorno a Ponza.

Uma pequena capela branca dedicada a São Silvério ergue-se no topo de um penhasco marítimo. Silvério, um papa do século VI, foi exilado em Palmarola, onde acredita-se que tenha falecido.

Todo mês de junho, pescadores navegam de Ponza até Palmarola para a festa de São Silvério, levando flores à capela e conduzindo uma procissão marítima com uma estátua de madeira do santo. Os participantes se revezam subindo os íngremes degraus de pedra até o nicho mais alto, onde está localizado o altar principal, para orar e meditar.

"É um ritual sagrado. Rezamos para ele todos os dias", diz Capone. "Muitos homens de Ponza, como eu, recebem o nome do santo, que é nosso padroeiro. Acreditamos que seu espírito ainda habita as águas de Palmarola."

Lendas locais contam histórias de marinheiros que, pegos em tempestades, oraram a São Silvério e foram salvos.

"Uma aparição do santo, emergindo das águas, os resgatou, guiando os marinheiros em segurança de volta a Palmarola, onde sobreviveram por semanas nos abrigos das grutas", conta Capone.

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