Agro aponta alertas da UE ao Brasil sobre embargo à carne desde 2023
Além disso, setor vê retaliação ao acordo Mercosul-União Europeia
Fontes do agronegócio apontaram à CNN que a União Europeia alertou, desde junho de 2023, o Brasil e demais países sobre a intensificação das ações dos europeus para combater a resistência antimicrobiana.
A falta de sucesso nas negociações ao longo desses três anos é apontada como um dos fatores para a decisão da UE anunciada hoje, além de uma possível retaliação de setores europeus ao acordo com o Mercosul.
A recomendação à qual o setor se refere foi aprovada em 13 de junho de 2023 pelo Conselho Europeu, após proposta apresentada pela Comissão Europeia como parte de um pacote farmacêutico.
O documento relata que “em julho de 2022, a Comissão, juntamente com os Estados-Membros, identificou a resistência aos antimicrobianos (RAM) como uma das três principais ameaças prioritárias à saúde” e defende que medidas de prevenção sejam “uma prioridade política de alta importância nos contextos do G7 e G20, levando a compromissos ambiciosos em nível global, incluindo a divisão justa, entre os países do G20 ou G7, do ônus financeiro decorrente dos incentivos de pressão e retirada para antimicrobianos”.
Uma resolução da União Europeia, também aprovada em junho de 2023, aponta que a questão “abrange a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente, e é uma ameaça multifacetada à saúde transfronteiriça que não pode ser enfrentada por um setor isoladamente ou por países individualmente, pois combater a RAM exige um alto nível de colaboração entre setores e entre países, inclusive em nível global”.
Segundo fontes ligadas ao setor, a partir daí o governo brasileiro iniciou negociações com a União Europeia para definir o protocolo da carne brasileira que seria exportada para a Europa. Na prática, tratava-se de estabelecer qual padrão fitossanitário e de qualidade poderia ser vendido aos europeus. Essa negociação, segundo fontes graduadas do setor, nunca evoluiu e culminou na restrição imposta hoje.
Além disso, há o entendimento de que setores do agronegócio europeu, especialmente da França e da Polônia, buscaram a punição como retaliação ao fechamento do acordo entre UE e Mercosul. O mercado europeu é um dos principais destinos da proteína brasileira, e a expectativa é de que, a partir do acordo, haja ganho de mercado para o produto brasileiro no continente.
A leitura do setor é a de que os europeus acabaram unindo os dois interesses na decisão: aplicar uma regulação considerada equivocada e injusta pelo agronegócio brasileiro e, ao mesmo tempo, alertar o mercado consumidor europeu de que a carne brasileira poderia estar contaminada.
Procurado, o Ministério da Agricultura afirmou que há desde 2023 uma discussão técnica em curso, que vem trabalhando em políticas antimicrobianas, que exporta para a União Europeia há mais de 40 anos e sempre cumpriu o que a UE exige, que o Brasil cumpre os requisitos para exportar para mais de 160 países do mundo e que espera com diálogo convencer os europeus a aceitaram a carne brasileira.



