El Niño vai impactar produção agrícola global, alerta especialista
Ao WW, Marcello Brito afirma que fenômeno climático, somado a juros altos e falta de fertilizantes, ameaça safras sazonais e perenes no Brasil e no mundo
O El Niño chegará com 100% de certeza e deverá impactar a produção agrícola não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. O alerta foi feito por Marcello Brito, diretor da FDC Agroambiental, em entrevista ao WW desta segunda-feira (18). Segundo ele, tanto culturas sazonais quanto culturas perenes de longo prazo serão afetadas pelo fenômeno climático.
"Eu venho acompanhando isso de perto, os percentuais vem crescendo mês após mês . Em fevereiro nós falamos sobre El Niño e as possibilidades eram baixas, mas vem subindo. A [probabilidade de] chegada do El Niño é de 100%, o Super El Niño vem aumentando cada vez mais", destacou Brito.
Na manhã desta terça-feira (19), Santa Catarina decretou estado de alerta climático por 180 dias, a fim de fortalecer ações de prevenção, principalmente em caso de chuvas e alagamentos, por causa do fenômeno.
O National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão do governo dos Estados Unidos que observa condições climáticas, indica probabilidade acima de 80% de ocorrência do El Niño já em julho. A previsão atual é de que o El Niño tenha maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027.
O diretor da FDC frisou que o El Niño não se comporta de forma uniforme ao redor do planeta, podendo variar de forma significativa dentro de uma mesma região. "A gente fala que a região central do globo vai ter secas, e chuvas nos extremos. Mas não necessariamente. Tem impactos diferenciados dentro da Amazônia, impactos diferenciados também dentro do Centro-Oeste. Na África também tem um impacto muito forte", explicou.
Brito destacou que o setor agrícola brasileiro já enfrenta uma conjuntura adversa antes mesmo dos efeitos do El Niño se fazerem sentir plenamente. "As estrelas do mal estão todas alinhadas para a produção agrícola brasileira", afirmou. O especialista enumerou uma série de fatores negativos que se acumularam desde o começo de 2026: inadimplência alta, juros elevados, aumento de custos e queda de preços.
Além das dificuldades financeiras, Brito apontou que a guerra no Oriente Médio contribuiu para um aumento expressivo no preço dos fertilizantes e para uma perspectiva de escassez do insumo. "Vai faltar fertilizantes na próxima safra", alertou.
Esse conjunto de pressões torna o momento especialmente crítico para os produtores rurais brasileiros, que precisam lidar simultaneamente com restrições de crédito e instabilidade nos mercados internacionais.



