FGV: São necessários R$ 2,37 bi para retomar auge do seguro rural

Segundo levantamento, a área segurada saiu de 13,45 milhões de hectares para 3,2 milhões de hectares

Arthur Bambini, da CNN Brasil*, Brasília
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A área segurada no Brasil saiu de 13,45 milhões de  hectares em 2021 para 3,2 milhões de hectares em 2025. Segundo levantamento do Observatório do Crédito e Seguro Rural do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (Fundação Getúlio Vargas), seriam necessários R$ 2,37 bilhões para recuperar essa diferença em 2026. 

O estudo destaca que, caso seja adotada uma política de fortalecimento da subvenção da soja, elevando a subvenção de 20% para 30%, esse valor pode saltar para R$ 2,57 bilhões. 

Em 2021, ano em que o país bateu o recorde de área segurada, a subvenção foi de R$ 1,13 bilhão. Cinco anos depois, o orçamento executado sofreu redução de 50% e chegou a aproximadamente R$ 565 milhões.

Cortes em 2026

O levantamento da FGV foi divulgado no mesmo mês em que o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) anunciou o bloqueio de R$ 461,7 milhões dos R$1,1 bilhão destinados ao PSR (Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural). 

Este é o segundo contingenciamento consecutivo. Em 2025, o bloqueio anunciado foi de R$ 445 milhões.

Na avaliação do estudo da FGV Agro, o bloqueio de 2026 representa um “segundo grande choque consecutivo de previsibilidade orçamentária”. 

Segundo o levantamento, desde 2025, as ações de contingenciamento/bloqueio e passivo pendente do PSR já somam R$ 1,04 bilhão. Este montante é visto pelos pesquisadores como “um valor expressivo que evidencia perda de confiança e risco institucional do programa”.

Importância do Seguro 

Para os pesquisadores, o bloqueio deste ano representa mais do que ajuste fiscal de curto prazo. Na visão deles, o episódio consolida uma sequência de instabilidade econômica que reduz a capacidade do programa classificado como “principal instrumento brasileiro de transferência de riscos agropecuários”.

O estudo defende que, atualmente, o principal desafio do seguro rural deixou de ser climático e passou a ser estrutural

“A previsibilidade orçamentária constitui condição essencial para o funcionamento do mercado segurador e para a coordenação entre produtores, seguradoras, resseguradoras, cooperativas, bancos e governo”, destacou a pesquisa. 

O Observatório aponta que, em meio a mudanças climáticas e eventos extremos, há um aumento na instabilidade agrícola, e que por isso seria preciso aumentar os investimentos em programas de seguro, postura oposta adotada pelo Brasil. 

“Essa situação ocorre justamente quando o setor agropecuário convive com aumento da inadimplência do crédito rural, crescimento das recuperações judiciais, discussões sobre renegociação de dívidas, maior probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño e aperfeiçoamentos regulatórios do Proagro que restringiram o acesso de parte dos produtores ao programa”, aponta a pesquisa.

Sob supervisão de Andressa Simão