Por que a carne bovina está mais cara? Entenda

Preço do boi gordo atingiu o maior patamar desde 1997

Redação, da CNN Brasil, São Paulo
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A disparada no preço do boi gordo, que atingiu em abril o maior nível desde 1997, tem encarecido a carne bovina no Brasil e ampliado a diferença em relação a outras proteínas. 

O preço da carne sobe influenciado por uma combinação de fatores ligados à oferta, à demanda e aos custos de produção. Ao mesmo tempo, outras proteínas, como a suína, seguem uma trajetória oposta, ampliando a diferença de preços percebida pelo consumidor.

Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicam que, em março, a carne suína atingiu a maior vantagem de preço em relação à bovina nos últimos quatro anos. Atualmente, é possível adquirir cerca de 2,46 quilos de carne suína com o valor equivalente a 1 quilo de carne bovina, evidenciando o encarecimento relativo da proteína bovina.

 

Um dos principais fatores por trás dessa alta é a redução na oferta de animais para abate em comparação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com aumento geral nos abates, a menor disponibilidade contribui para pressionar os preços do boi gordo.

Esse ciclo é marcado por fases de retenção e descarte de fêmeas: em momentos de preços mais baixos ou margens apertadas, produtores tendem a enviar mais vacas para o abate, elevando a oferta de carne no curto prazo. Já quando os preços melhoram, como no cenário atual, há incentivo para reter matrizes e investir na recomposição do rebanho, reduzindo o número de animais disponíveis para abate. 

Como a criação de gado é um processo longo, que pode levar anos entre a reprodução e o ponto ideal de abate, essa decisão impacta a oferta de forma prolongada, contribuindo para períodos de preços mais elevados. 

Além disso, o desempenho das exportações de carne bovina tem impacto direto no mercado interno. Com maior volume destinado ao exterior, há redução da oferta disponível no país, o que tende a elevar os preços para o consumidor brasileiro. Além disso, há uma certa cautela do setor brasileiro, em função das cotas chinesas.

Outro elemento relevante é a valorização da arroba do boi gordo. Em praças importantes como Araçatuba e Barretos (SP), o preço gira em torno de R$ 365 por arroba, refletindo a sustentação das cotações mesmo em períodos de menor ritmo de negociação.

Esse cenário também tem efeitos na indústria frigorífica. O aumento do custo da matéria-prima tem pressionado as margens, levando empresas a ajustarem suas operações. Medidas como férias coletivas e redução de turnos foram adotadas em algumas unidades da JBS em Mato Grosso, como forma de adequar a produção ao contexto de preços elevados. Já a MBRF também estaria promovendo adequações nos turnos da fábrica no estado.