Preços futuros do boi gordo recuam 2% com incertezas sobre cota da China
Os preços no mercado físico atingiram recordes nominais na última semana

Os contratos futuros do boi gordo finalizaram em queda na B3 (Bolsa Brasileira), refletindo a cautela do mercado diante das incertezas sobre o preenchimento das cotas de importação da China. Entre agentes do setor, cresce a percepção de que o preenchimento da cotas pode ainda em maio.
No encerramento da sessão desta segunda-feira (13), os contratos futuros do boi gordo registraram queda. O vencimento para maio recuou 2,01%, sendo negociado a R$ 350,90 por arroba, enquanto o contrato para junho caiu 2,44%, cotado a R$ 339,65 por arroba.
Entre operadores, a leitura é de que o mercado pode ser surpreendido a qualquer momento por um anúncio de preenchimento da cota ou até mesmo por uma interrupção temporária das compras. Esse cenário tem reforçado a cautela, especialmente nos contratos futuros, diante do risco de uma mudança brusca no fluxo das exportações.
Para o consultor da Terra Investimentos, Geraldo Isoldi, o movimento indica uma mudança de percepção no mercado. Segundo ele, após as máximas históricas registradas tanto no físico quanto no indicador e nos futuros, os preços passaram a se alinhar mais rapidamente ao mercado à vista, algo incomum para este período do mês.
Ainda de acordo com o analista, os contratos seguem pressionados, com quedas mais intensas nos vencimentos mais longos, reflexo de um mercado mais cauteloso à possibilidade de mudança no cenário atual.
No fechamento desta sessão, os preços futuros do boi gordo tiveram queda na sessão desta segunda-feira (13). O contrato para entrega em maio registrou recuou de 2,01% e está cotado em R$ 350,90 por arroba, enquanto o vencimento junho teve queda de 2,44% e ficou precificado em R$ 339,65 por arroba.
Já no mercado físico, os preços atingiram recordes nominais na última semana. Os dados do Cepea mostram que, mesmo com menor liquidez em São Paulo na sexta-feira, os preços se mantiveram firmes, com negócios entre R$ 360,00@ e R$ 375,00/@. O indicador fechou com média de R$ 365,60/@, alta semanal de 1,2%.
O levantamento da Agrifatto aponta que, no consolidado nacional, as escalas encerraram a semana em cerca de cinco dias, evidenciando oferta enxuta.
Na B3 (Bolsa Brasileira), os contratos futuros anteciparam esse movimento de alta no início do mês. Na segunda-feira (6), o vencimento abril chegou a R$ 371,75/@, com ganhos de R$ 6,80/@ no mês e expressivos R$ 49,10/@ no ano. "O mercado passou por correção em que o mesmo contrato encerrou a sexta-feira cotado a R$ 354,45/@, devolvendo os ganhos mensais e registrando leve queda de 0,14%", destacou Isoldi.
No cenário internacional, a arroba brasileira também atingiu máxima em dólar, chegando a US$ 72,79 na última sexta-feira (10) — o maior valor já registrado.
De acordo com o levantamento da Terra Investimentos, a valorização no preço do boi no mercado internacional foi de 6,15% no acumulado do mês, enquanto no ano o avanço chega a +25,45%, reforçando a força do ciclo atual da pecuária brasileira.
Dados preliminares indicam que exportações de carne bovina já alcançaram 97 mil toneladas ainda na primeira semana de abril, volume considerado elevado.
"O desempenho supera o ritmo do mesmo período do ano passado, que já havia sido um mês forte, e aponta para crescimento aproximado de 15% na comparação anual. A expectativa do mercado é que a China siga como principal destino, com embarques acelerados diante da demanda aquecida", informou Isoldi.


