Adriana De Luca
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Adriana De Luca

Paulistana, nascida e criada na Zona Leste. Há mais de 15 anos cobre segurança pública. Explica investigações e crime organizado para além dos fatos

73% dos brasileiros consideram escolas pouco ou nada seguras para crianças

Pesquisa Infinis/Quaest aponta violência entre alunos como principal motivo para a percepção de insegurança; apenas 30% dizem confiar muito nas instituições de ensino

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Sete em cada dez brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, segundo pesquisa inédita do Infinis em parceria com a Quaest, divulgada nesta quarta-feira (30).

O levantamento mostra que 73% dos entrevistados têm essa percepção, enquanto 26% consideram as escolas seguras. No Sudeste, região onde o índice é mais alto, 76% avaliam as instituições de ensino como pouco ou nada seguras.

Entre aqueles que consideram o ambiente escolar inseguro, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos. Outros 18% mencionam tanto a violência entre estudantes quanto aquela praticada por professores ou outros profissionais, enquanto 8% citam apenas a violência cometida por profissionais contra alunos.

Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, a dimensão do problema exige que a discussão sobre violência escolar vá além da resposta a episódios depois que eles acontecem.

“A escola é um dos ambientes mais importantes de promoção da saúde, formação de vínculos e construção de identidade de crianças e adolescentes. É onde eles convivem, constroem vínculos, desenvolvem sua identidade e passam uma parte significativa de sua formação.”

Segundo ela, a prevenção e a identificação precoce são fundamentais.

“Enfrentar a violência nas escolas é mais complexo do que simplesmente responder a episódios. É preciso fortalecer a prevenção, a identificação precoce e a capacidade de cuidado.”

Família e professores aparecem como parte da solução

A própria pesquisa aponta caminhos considerados importantes pela população. 46% dos brasileiros defendem o reforço da capacidade das escolas e das famílias de reconhecer e acompanhar situações de violência.

Dentro desse grupo, 23% defendem uma maior participação das famílias e outros 23% apontam a necessidade de professores preparados para identificar os casos.

Para Márcia, os números indicam que a escola não pode ser analisada isoladamente.

“A articulação entre educação, saúde, famílias e demais integrantes da rede de proteção é essencial para que situações de violência sejam identificadas e acompanhadas de maneira adequada.”

A diretora afirma ainda que políticas públicas e marcos legais são importantes, mas que os resultados dependem da capacidade de implementação.

“Políticas públicas e marcos são fundamentais, e seus impactos dependem também da capacidade de articulação e execução na ponta.”

Baixa confiança nas escolas

A pesquisa também revela um segundo aspecto do problema: a confiança dos brasileiros nas instituições de ensino é menor do que a registrada em outras instituições que integram a rede de proteção de crianças e adolescentes.

Apenas 30% afirmam confiar muito nas escolas, enquanto 55% dizem confiar pouco e 14% afirmam não confiar. Entre outras instituições e profissionais avaliados, psicólogos e aconselhamentos aparecem com 60% de confiança alta, seguidos pela polícia, com 49%, e pelo Conselho Tutelar, com 46%.

Para Márcia, fortalecer a confiança passa por ampliar a própria comunidade escolar e conectar a escola aos demais serviços de proteção.

“Fortalecer a comunidade escolar e seu espaço expandido, composto pelos profissionais que atuam nas escolas, estudantes e seus familiares, comunidade de entorno e rede de proteção é fundamental para que crianças, adolescentes e famílias saibam onde buscar ajuda diante de situações de violência.”

Ela também chama atenção para as desigualdades regionais e para a necessidade de o poder público identificar lacunas no acesso a serviços de educação e cuidado.

“O poder público precisa de um olhar mais atento às desigualdades de acesso a equipamentos de educação e cuidado, vistas principalmente nas regiões Norte e Nordeste.”

Segundo a diretora do Infinis, a atuação preventiva também depende da capacidade do Estado de aproximar redes de ensino e famílias.

“É importante que o Estado possa apoiar a articulação das redes de ensino com as famílias dos estudantes para identificar lacunas no suporte aos jovens e problemas de natureza social antes que violências apareçam como consequência.”

A pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil” ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, presencialmente, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.