PT supera Centrão em adesão a novo pedido de CPI do Master na Câmara
Movimentação pela CPI provoca reações e desconforto na classe política; governador Ibaneis Rocha chamou de “oportunismo político” a articulação de Rollemberg no Congresso
O PT (Partido dos Trabalhadores) aderiu ao pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara dos Deputados para investigar o Banco Master. Entre os 211 parlamentares que assinaram o requerimento, 45 são do PT — o equivalente a 66% da bancada, que hoje conta com 68 deputados.
Além dos petistas, outras legendas de esquerda também passaram a apoiar a proposta. São os casos do PCdoB com 8 assinaturas e o PSOL com 9.
A taxa de adesão do PT ao pedido supera a dos partidos do Centrão. Do PP, apenas 8 dos 50 deputados assinaram o requerimento (16%). No Republicanos, ninguém assinou. Pelo PSD, foram 10 de 47 (21%). No União Brasil, 23 de 59 (38%). Já no oposicionista PL, 34 dos 87 deputados aderiram (39%).
Até então, a bancada petista resistia a apoiar uma CPI para investigar a venda e liquidação do Banco Master. Na semana passada, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que a questão não era prioridade para o governo.
No entanto, à medida que ficou mais evidente que o caso poderia atingir também o governo — diante do envolvimento do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega com o Master, além das relações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, com o ex-CEO do banco Augusto Lima — parte da bancada passou a avaliar que seria melhor apoiar uma CPI sob liderança da esquerda.
Há também, dentro do governo, a percepção de que mesmo sem a perspectiva concreta de instalação da comissão, o gesto de assinar o pedido serve para demonstrar interesse na investigação no âmbito do Congresso Nacional.
A avaliação predominante é de que as CPIs não devem avançar, diante da resistência do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O sentimento encontra eco na maioria do Centrão, sobretudo pelas ligações de Daniel Vorcaro com figuras do grupo.
Mesmo assim, Rollemberg decidiu acelerar a coleta de assinaturas nos últimos dias. Filiado ao mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, o deputado conseguiu ampliar apoios na esquerda. Ele tem interesse direto na CPI por ser adversário político do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A bancada do PT deve se reunir hoje para discutir o assunto.
Além desse requerimento, há outros três pedidos de investigação em circulação: uma CPMI articulada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ); outra, também de CPMI, apresentada pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS); e uma CPI no Senado puxada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). Nesses casos, porém, o apoio da esquerda é mínimo.



