Governo age para evitar crise de desinformação sobre vacina da dengue
Orientação é exaltar abordagem técnica, para evitar uso político da suspensão do imunizante do Butantan
A suspensão da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan acendeu um alerta no governo, que age com o objetivo de impedir que tome forma uma crise de desinformação. O Planalto teme que haja contaminação política do assunto, que acabe virando munição eleitoral.
Segundo relatos de líderes governistas feitos à CNN, a ordem nos bastidores é afastar qualquer tipo de politização e demonstrar que a postura da pasta é de absoluta precaução diante dos casos adversos no grupo que recebeu o imunizante.
A suspensão da vacina foi anunciada ontem pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A decisão ocorre após três casos graves, sendo dois óbitos, terem sido registrados entre profissionais de saúde que haviam recebido o imunizante.
Não há até o momento, segundo a pasta, elementos suficientes que permitam estabelecer uma relação de causa e efeito entre as mortes e a vacina. Já foram aplicadas mais de 400 mil doses da vacina do Butantan, a quem caberá aprofundar a investigação dos episódios registrados até agora.
A orientação que circula no governo é para que o assunto seja tratado de maneira estritamente técnica. Padilha é quem deve manter a dianteira das discussões. Um primeiro diagnóstico, feito após a coletiva concedida pelo ministro, foi positivo. A avaliação foi que ele agiu rapidamente e acertou ao tratar o assunto com total transparência, apesar da sensibilidade imposta pelo período eleitoral.
Uma das preocupações, neste momento, é evitar que o assunto fomente uma onda de notícias falsas, que prejudique o avanço das políticas de vacinação implantadas pela atual gestão. Esta é uma área que, na avaliação da gestão petista, ainda lida com dificuldades que decorrem da pandemia de Covid-19.
A retomada de campanhas de vacinação contra a dengue e também contra outras doenças se tornou uma das principais marcas da atual gestão da Saúde. Antes titular da articulação política, Alexandre Padilha retornou à pasta tendo como uma de suas principais missões construir marcas para o atual mandato do presidente Lula, de olho nas eleições deste ano.



