Análise: Centrão quer anistia, mas com Bolsonaro inelegível
Grupo apoia perdão ao ex-presidente, mas sem tê-lo nas eleições de 2026

Partidos do Centrão querem os votos do bolsonarismo, mas não querem Jair Bolsonaro.
O ex-presidente é visto como uma espécie de necessidade inconveniente. Precisam dele fora da cadeia, andando pelas ruas, gravando vídeos para apoiar candidatos à Câmara, ao Senado, a governos estaduais e, principalmente, transferindo seu capital político a um presidenciável de verniz moderado para representar a direita na disputa pelo Palácio do Planalto.
Um presidente de partido disse à CNN que, de acordo com pesquisas internas, a capacidade de transferência de voto de Bolsonaro é extraordinária. Por isso, aliados de partidos como Progressistas, União Brasil, Republicanos, por exemplo, estão engajados no projeto de lei de anistia para que ele seja beneficiado. Só não querem Bolsonaro na urna.
O nome escolhido pelo Centrão, mercado, establishment é o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, visto como um híbrido de técnico e político.
Tarcísio é considerado previsível. Bolsonaro, não. Tarcísio dá ouvido a conselheiros políticos (sobretudo os do Centrão). Bolsonaro, não. Tarcísio tem baixa rejeição. Bolsonaro, não.
Há pressa para evitar que Bolsonaro vá para o regime fechado, a fim de cumprir a pena de 27 anos e 3 meses pela qual foi condenado. Caso ele fique fechado em uma cela, a articulação política ficará comprometida, já que hoje correligionários "conversam" com o ex-presidente por meio da mulher, Michelle, e do filho Flávio, que têm livre acesso a ele na prisão domiciliar.
Não por acaso, aliados do Centrão tentam pressionar Bolsonaro para que ele escolha logo quem vai substituí-lo na urna.



