Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Análise: no rádio, adversários miram Lula e PT contra-ataca com Dark Horse

Flávio faz crítica ao “Brasil do PT” e acena às mulheres; Caiado usa Goiás para se apresentar e Cury se coloca como agente da despolarização

Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o alvo dos adversários na estreia da propaganda eleitoral de candidatos à presidência no rádio neste sábado (29) e contra-atacou o principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL), com o áudio enviado pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

PL e PT apostaram em formatos de apresentação de programa de rádio, com Flávio e Lula em um bate-papo com os apresentadores.

Flávio buscou traçar uma distinção entre dois "Brasis" - o Brasil real e o Brasil "fantasia", em que Lula diz que tudo melhorou, mas onde, segundo ele, empresas estão quebrando e a população enfrenta dificuldade no dia a dia por causa da economia e da insegurança.

O candidato buscou explorar a imagem de que combate a criminalidade e relembra, por exemplo, que é presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado e que foi relator do projeto de lei do fim das saidinhas dos presos.

Flávio apostou ainda em explorar a conexão com as mulheres de sua família: citou a mãe, a esposa e as filhas e defendeu que o Brasil só vai vencer se "as mulheres forem mais fortes".

A propaganda de Lula entrou na sequência, com o petista se colocando como alguém pronto para mais e que gosta de trabalhar, "ao contrário de Flávio", que é apontado na peça como "o pior dos Bolsonaros".

O adversário também é descrito como "alguém que não admite nada" enquanto o PT explora um "currículo alternativo" do senador, com menções ao esquema das rachadinhas e exibição de recortes da mensagem de áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para bancar o filme Dark Horse, que homenageia o pai Jair Bolsonaro.

Na peça, o PT também explora biografia e legados de Lula para mostrá-lo como alguém que cuida dos vulneráveis. A peça cita, por exemplo, Lula como o responsável pela "menor taxa de desemprego", "menor inflação acumulada" e a saída do Brasil do mapa da fome.

Lula fala mais de passado do que de futuro, ao focar em bandeiras da educação, com citações ao programa pé-de-meia, investimentos em creches e o fortalecimento de institutos federais no Brasil, em vez de explorar o que pretende fazer em um eventual novo governo.

O petista também pega para si a paternidade do fim da jornada 6x1 ao falar da expectativa de aprovação pelo Senado. A discussão é descrita como um "projeto de Lula", mas a proposta além de não ter partido do governo já era debatida no Congresso Nacional antes de ganhar o engajamento do Palácio do Planalto.

Com menos tempo de propaganda que os líderes das pesquisas, Ronaldo Caiado (PSD), apostou em atacar a esquerda, elencar credenciais de médico e de experiência no combate à criminalidade para se apresentar ao eleitorado nacional.

O candidato explorou o conceito de "coragem" em uma apresentação em que defendeu que é preciso tirar o PT de vez do poder e se colocou como alguém que enfrenta a esquerda e as facções criminosas.

A campanha buscou apresentar o currículo do governador em 40 anos de vida pública, colocar Goiás como o "exemplo do Brasil que deu certo" e mostrar que Caiado é um veterano que "conhece o caminho".

Único a ter menos de um minuto durante a propaganda, o candidato do Avante, Augusto Cury, defendeu que o Brasil não aguenta mais "quatro anos de grito", também em uma referência ao governo Lula.

A peça fez um mix de notícias negativas sobre o país e apostou em um bordão que conecta "Cury" à "cura" do Brasil e ao currículo de psiquiatra e escritor ao dizer que "não tem cura, sem escuta".

Cury buscou se colocar como um "agente de despolarização" e uma alternativa ao eleitorado que não enxerga identificação com o bolsonarismo ou o petismo.