Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Governo suspeita de ação de assessores de Trump em classificação de facções

Diplomacia levanta tese de que presidente dos EUA possa não ter tido ingerência em decisão

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O governo Lula suspeita que a designação de facções brasileiras como terroristas pelo governo Donald Trump pode não ter tido ingerência direta do presidente americano.

A tese levantada pela diplomacia é de que a decisão tenha sido costurada por assessores da base ideológica de Trump e que têm conexão direta com o bolsonarismo.

São citados o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, e Darren Beattie, o assessor de Trump que teve o visto revogado pelo governo brasileiro e foi impedido de entrar no país para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além da foto com Donald Trump, o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também se reuniu com Landau nesta semana, durante a viagem feita pelo pré-candidato à presidência da República aos Estados Unidos.

Dentro da diplomacia brasileira, corre a visão de que a foto de Flávio foi mais uma tietagem e um momento de subserviência do que uma agenda estruturada com o presidente americano para tratar de temas de interesse do pré-candidato.

As consequências, no entanto, não são minimizadas. O governo brasileiro vê abertura para uma ação intervencionista da gestão Donald Trump.

Com a designação, o tema se torna uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos, o que pode abrir risco para interferências diante de qualquer suspeita de laços com facções sobre pessoas e instituições.

A decisão de quinta-feira (28) representou uma derrota da diplomacia brasileira, que buscava desde o ano passado convencer os Estados Unidos de que a classificação mais atrapalharia do que ajudaria.

O Brasil tentava construir a via de cooperação internacional no combate ao crime organizado e foi assim que tratou do assunto durante a visita de três horas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez à Casa Branca três semanas atrás.

O governo ainda calcula reações e tem feito consultas internas a todas as áreas envolvidas com o tema. O presidente Lula deve explorar os impactos negativos da classificação, como o risco para instituições financeiras e questões de soberania.

Ao mesmo tempo, o desafio é construir a narrativa de maneira que não seja interpretada como uma defesa de grupos criminosos.