Governo suspeita de ação de assessores de Trump em classificação de facções
Diplomacia levanta tese de que presidente dos EUA possa não ter tido ingerência em decisão

O governo Lula suspeita que a designação de facções brasileiras como terroristas pelo governo Donald Trump pode não ter tido ingerência direta do presidente americano.
A tese levantada pela diplomacia é de que a decisão tenha sido costurada por assessores da base ideológica de Trump e que têm conexão direta com o bolsonarismo.
São citados o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, e Darren Beattie, o assessor de Trump que teve o visto revogado pelo governo brasileiro e foi impedido de entrar no país para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da foto com Donald Trump, o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também se reuniu com Landau nesta semana, durante a viagem feita pelo pré-candidato à presidência da República aos Estados Unidos.
Dentro da diplomacia brasileira, corre a visão de que a foto de Flávio foi mais uma tietagem e um momento de subserviência do que uma agenda estruturada com o presidente americano para tratar de temas de interesse do pré-candidato.
As consequências, no entanto, não são minimizadas. O governo brasileiro vê abertura para uma ação intervencionista da gestão Donald Trump.
Com a designação, o tema se torna uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos, o que pode abrir risco para interferências diante de qualquer suspeita de laços com facções sobre pessoas e instituições.
A decisão de quinta-feira (28) representou uma derrota da diplomacia brasileira, que buscava desde o ano passado convencer os Estados Unidos de que a classificação mais atrapalharia do que ajudaria.
O Brasil tentava construir a via de cooperação internacional no combate ao crime organizado e foi assim que tratou do assunto durante a visita de três horas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez à Casa Branca três semanas atrás.
O governo ainda calcula reações e tem feito consultas internas a todas as áreas envolvidas com o tema. O presidente Lula deve explorar os impactos negativos da classificação, como o risco para instituições financeiras e questões de soberania.
Ao mesmo tempo, o desafio é construir a narrativa de maneira que não seja interpretada como uma defesa de grupos criminosos.



