Renúncia de Zambelli teve anuência de Hugo Motta
Advogado diz que conversou com presidente da Câmara no fim de semana e nega pressão
A carta de renúncia de Carla Zambelli (PL-SP) ao cargo de deputada federal foi enviada à Câmara com a anuência do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A defesa de Zambelli conversou com Hugo por telefone durante o final de semana, antes da renúncia ser anunciada oficialmente, e nega que houve pressão porque a decisão já estava tomada.
"Foi uma coisa que eu já tinha falado em plenário. Porém, acho que ele achou que era uma jogada jurídica, mas não era. E ele se sentiu muito agradecido e a gente enviou à Secretaria-Geral da Mesa a renúncia, obviamente com a anuência do Hugo Motta", afirmou à CNN o advogado Fábio Pagnozzi.
Segundo a defesa, Zambelli pretendia renunciar ao mandato depois que ganhasse a votação contra a cassação no plenário.
No entendimento da defesa, Zambelli não perdeu os direitos políticos porque a renúncia foi pedida antes da cassação.
"Ela não ficou com os direitos políticos revogados, até porque ela não perdeu o mandato", afirma Pagnozzi.
Essa interpretação, no entanto, difere do entendimento de juristas ouvidos pela CNN.
Zambelli foi livrada da cassação por uma diferença de 30 votos na madrugada da última quinta-feira (11). O placar favorável à deputada teve peso de partidos do Centrão, como PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos
Horas depois, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) decretou a perda imediata do mandato e ordenou que a Mesa da Câmara dos Deputados desse posse do suplente no prazo máximo de 48 horas. A decisão foi referendada na sexta-feira (12) pelo plenário da Corte.



