Flávio vê aceno do PIB e reaproximação de evangélicos
Campanha do candidato do PL avalia que senador tem reduzido desconfianças e diz que caso "Dark Horse" está precificado

O time de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, avalia que o senador começa a reduzir as desconfianças acumuladas em torno de sua candidatura após a sequência de crises que marcou a pré-campanha.
Nos bastidores, aliados apontam à CNN dois sinais dessa mudança: uma maior abertura de setores do empresariado e a reaproximação com lideranças evangélicas, patrocinada por Michelle Bolsonaro.
A campanha também considera que o desgaste do caso "Dark Horse" já foi precificado, apesar de o pedido de dinheiro feito por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estar sob investigação.
A leitura no QG é que Flávio começa a recuperar o terreno perdido desde o fim de abril, antes da crise provocada pela revelação do áudio enviado ao então banqueiro, das divisões internas e do atrito com Michelle, que chegou a afirmar publicamente ter sido humilhada pelo enteado.
A recuperação nas pesquisas entrou nessa conta. Na Quaest divulgada na sexta-feira (14), Lula aparece com 43% das intenções de voto, ante 40% de Flávio, em empate técnico dentro da margem de erro. Em 5 de agosto, os dois tinham 44% e 39%, respectivamente.
Assessores de Flávio relatam que a mudança nas pesquisas já começa a se refletir na postura de parte do empresariado. Após o vazamento do áudio a Vorcaro, o senador encontrou dificuldades para abrir portas e marcar reuniões com empresários. Agora, segundo integrantes do QG, há maior disposição para recebê-lo e ouvir suas propostas para a economia.
A outra frente de reaproximação passa por Michelle. A ex-primeira-dama, candidata do PL ao Senado pelo Distrito Federal, tem ajudado Flávio a reconstruir pontes com lideranças evangélicas e a reduzir resistências ao senador no segmento.
A retomada da relação entre os dois também voltou a aparecer publicamente. Nesta quarta-feira (19), Michelle publicou nas redes sociais um vídeo ao lado de Flávio. Na campanha, a expectativa é que ela mantenha os gestos ao enteado e participe desse esforço de aproximação com os evangélicos.
Aliados apostam que eventuais novos áudios ou desdobramentos do caso terão impacto menor por se somarem a fatos já conhecidos pelo eleitor.
A avaliação no QG é que o episódio continuará sendo explorado pelos adversários, mas dificilmente provocará um desgaste nas mesmas proporções da crise enfrentada na pré-campanha.
Como mostrou a CNN, o PT pretende voltar a explorar o "Dark Horse" como contra-ataque ao desgaste provocado pelas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
A estratégia petista é retomar o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro, além das notas fiscais e movimentações financeiras reveladas no caso, e cobrar o avanço das investigações. O argumento do QG de Lula é que Lulinha e Marcola não são candidatos, enquanto Flávio disputa diretamente a Presidência.



