Réus relatam "tranquilidade" e reservam tensão para próxima semana
Expectativa é pelos votos dos ministros e dosimetria da pena; advogados dão como certa a condenação
Réus do núcleo crucial da trama golpista relatam acompanhar com tranquilidade o primeiro dia de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira (2).
De acordo com interlocutores dos acusados, a tensão está reservada para a próxima semana, quando os ministros apresentarão seus votos.
As sessões desta semana, marcadas para hoje e amanhã, devem se limitar à leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes, à manifestação do procurador-geral Paulo Gonet e às sustentações orais dos advogados dos oito réus que compõem o núcleo 1.
As defesas admitem a condenação dos acusados por tentativa de golpe de Estado. A estratégia no plenário da Primeira Turma será tentar reduzir a pena.
Aliados dos réus também relataram à CNN que, por isso, a expectativa está concentrada apenas nos votos dos ministros e na dosimetria. Eles não aguardam pedido de vista que adie o julgamento.
A esperança, neste momento, reside em uma possível divergência do ministro Luiz Fux em relação às penas. Também avaliam que o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e último a votar, possa surpreender com um parecer diferente do relator Alexandre de Moraes.
Como mostrou a CNN, a maioria dos réus optou por acompanhar o julgamento pela TV para evitar exposição.
Preso no Rio de Janeiro, o general Walter Braga Netto acompanha por videoconferência.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, desistiu de ir por não ter condições de saúde.
O único a comparecer pessoalmente ao STF foi o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Aliados dizem que ele decidiu ir ao julgamento por "defesa da honra" e reafirma inocência na participação do plano de golpe.


