Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

Supremo prevê volta da composição completa somente em 2026

Sabatina apertada de Gonet deve colocar indicação de Lula em banho-maria

Estátua da justiça na sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília  • Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) preveem que a composição da Corte só voltará a estar completa a partir de 2026. Nos bastidores, não há expectativa de que a indicação do novo integrante e a sua aprovação no Senado ocorram antes do fim do ano.

O tribunal está com um integrante a menos desde 18 de outubro, quando o ministro Luís Roberto Barroso se aposentou. A vaga abriu margem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar mais um magistrado para o Supremo — o terceiro desde o início do mandato.

O presidente está decidido pelo atual ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, mas tem se sentido pressionado — inclusive por uma ala do STF — a indicar o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Congresso Nacional.

A sabatina do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aprovado pelo Senado Federal para mais um biênio no cargo, mas com uma margem “apertada” de votos, acendeu um alerta no Palácio do Planalto de que a validação de Messias não estaria garantida.

Na avaliação de ministros da Corte, com uma situação desfavorável a Messias, Lula “não jogaria para perder” — ou seja, não daria chance para o Senado, pela primeira vez na história, vetar um indicado ao STF.

Conforme mostrou a CNN Brasil, Lula sinalizou a auxiliares próximos que não desistiu de Messias e que vai se dedicar pessoalmente à sua aprovação. O presidente deseja chancelar a indicação ainda este ano, mas assessores do governo defendem prudência neste momento.

Isso porque líderes partidários avaliam que uma votação no Senado ainda em 2025 é improvável - portanto, o nome de Messias ficaria “na chuva” e sujeito a desgaste pelo menos até fevereiro, quando os trabalhos são reiniciados em Brasília após o recesso.

De qualquer forma, antes da indicação, Lula quer se reunir com Pacheco e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), principal “cabo eleitoral” da indicação do colega.