Análise: No PR, candidatos abraçam polarização e colam imagem em aliados
Troca de acusações entre Moro, Requião e Alex marcam último encontro na TV entre candidatos a governador do Paraná antes do primeiro turno

A troca de acusações e a pauta nacional dominaram o debate a governador do Paraná promovido pela Rede Globo na noite desta terça-feira (29).
Desde o começo do programa, o senador Sérgio Moro (PL) destacou sua ligação com o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) na tentativa de atrair o voto do eleitorado mais à direita, que tem sido maioria nos últimos pleitos paranaenses.
Já o deputado Sandro Alex, candidato pelo PSD, atuou para colar sua imagem à do governador Ratinho Jr. (PSD), que o apoia na disputa e tem bons índices de avaliação.
O representante da esquerda na corrida pelo Palácio Iguaçu, deputado Requião Filho (PDT), por sua vez, enalteceu o legado de seu pai, Roberto Requião (PDT), que comandou o estado por três mandatos, e fez um apelo contra um movimento por voto útil em Alex para derrotar Moro, que foi o juiz responsável pela condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moro e Alex protagonizaram os momentos mais tensos do encontro. O ex-magistrado tentou vincular o parlamentar ao PT pelo fato de o PSD ter ministérios no governo federal e disse que o colega de chapa de seu adversário, Rafael Greca (MDB), declarou apoio a Lula.
Alex rebateu e lembrou das diversas declarações de Moro contra a família Bolsonaro na época em que pediu demissão do Ministério da Justiça sob a acusação de que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) queria interferir na Polícia Federal para proteger seu filho, que hoje é candidato a presidente da República.
“Colocamos as divergências de lado e hoje sou candidato o PL, do Flávio e do Jair Bolsonaro”, afirmou Moro.
O candidato de Ratinho à sucessão para a gestão paranaense rebateu: “O senhor traiu Bolsonaro duas vezes e agora quer abandonar o Senado”, disse.
Já Requião tentou afirmou que seus dois adversários representam a mesma corrente política.
“Quero lembrar vocês que hoje cedo o Papa Leão XIV falou que não tem nada mais longe do cristianismo que a extrema-direita e meus dois adversários se colocam nesse lado da história”, afirmou.
Em segundo plano ficou o debate sobre propostas para o estado. As críticas ao serviço prestado pela Copel (Companhia Paranaense de Energia) após ter sido privatizada e os problemas na área da saúde pública marcaram os poucos momentos em que Requião e Moro convergiram, enquanto Alex enalteceu os índices positivos de educação e segurança do atual governo, do qual fez parte até o início deste ano.



