Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Mercado e PT veem Alckmin fortalecido para 2026

“Protagonismo de Alckmin no tarifaço o fortalece para seguir como vice ou disputar o governo em SP”, disse Jilmar Tatto à CNN

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O protagonismo do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), nas negociações com os setores afetados pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cacifaram para ser novamente o candidato de vice de Luiz Inácio Lula Silva (PT).

Mas, também ampliou a pressão para que ele dispute o governo paulista em 2026. Essa é a avaliação de fontes do PT, mercado financeiro e dos setores empresariais que estão na mesa de negociação.

Escalado por Lula para fazer a interlocução com os representantes da indústria, Alckmin ganhou os holofotes e recebeu parte importante dos créditos pela articulação silenciosa entre as contrapartes norte-americanas, que atuam nos bastidores para pressionar a Casa Branca.

“O Geraldo Alckmin está fortalecido para 2026, seja como vice do Lula ou governador de São Paulo. Nós sempre tivemos dificuldade de trazer o setor produtivo conosco. No PT nunca conseguimos”, disse à CNN o deputado federal Jilmar Tatto, secretário nacional de comunicação do PT.

Segundo fontes próximas ao vice-presidente e do seu partido, o PSB, a prioridade é mantê-lo como companheiro de chapa de Lula no ano que vem e Alckmin rejeita a ideia de disputar o Palácio dos Bandeirantes.

Mas, na leitura de petistas, tudo pode mudar se houver um pedido expresso de Lula.

“Alckmin está bem na foto com os setores”, disse o economista André Perfeito, que atua no mercado financeiro.

Ele, assim como Tatto, avalia que o vice-presidente é quadro político no campo governista com mais interlocução e apoio em áreas que historicamente resistem ao PT.

Ex-governador mais longevo de São Paulo quando era do PSDB, Alckmin construiu relações com o PIB paulista que foram valiosas em sua atuação no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Uma fonte do setor conta um caso emblemático.

O presidente da  Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Roberto Perosa, foi indicado por Alckmin para o seu cargo anterior, de secretário de Comércio do Ministério da Agricultura.

O pai de Perosa, Antônio de Pádua Perosa, foi deputado constituinte e um dos fundadores do PSDB ao lado do hoje vice-presidente.

Em conversas reservadas com aliados petistas, Lula teria confidenciado que gostaria de manter o ex-governador como companheiro de chapa e dito que criou uma “amizade” e uma relação de “confiança” com Alckmin.

Mas, por outro lado, Lula ainda deixa em aberto a possibilidade de negociar a vaga com uma legenda do centrão, como o MDB.