Embaixadora se encontra em "limbo diplomático" após visto revogado nos EUA
Fontes do Itamaraty avaliam que situação é inédita e delicada, já que a embaixadora não foi expulsa, mas permanece no país sem visto diplomático

A revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti pelo governo dos Estados Unidos nesta terça-feira (4) criou uma situação considerada inédita por diplomatas brasileiros, que deixa a embaixadora em uma espécie de "limbo diplomático".
Fontes do Itamaraty avaliam que Viotti está em uma posição delicada porque ela não chegou a ser declarada persona non grata (mecanismo previsto pela Convenção de Viena para a expulsão de um diplomata), portanto não é obrigada a deixar o país em um prazo determinado.
Mas, ao mesmo tempo, o Departamento de Estado informou que se Viotti deixar o território americano ela terá que solicitar um novo visto para retornar ao país.
Não está claro se ela poderá exercer normalmente as funções diplomáticas no país, já que o seu visto diplomático foi revogado. E há dúvidas se poderia pode enfrentar inclusive dificuldades burocráticas ao permanecer no país com um visto anulado.
A situação aumenta a pressão sobre o governo brasileiro para conceder o agrément a Daniel Perez, deputado republicado da Flórida, indicado pelo presidente Donald Trump para ser o novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília.
O clima no Itamaraty é de indignação com a medida. Ao comentar justificativa de um integrante do Departamento de Estado, de que Washington teria dado ao Brasil "todas as oportunidades para fazer a coisa certa" antes da revogação do visto, o diplomata brasileiro disse que os Estados Unidos "tratoraram a Convenção de Viena", em referência ao tratado internacional de 1961 que rege as relações diplomáticas entre os países.
Há uma percepção dentro da diplomacia brasileira de que o governo de Donald Trump alterou a ordem dos fatores ao anunciar a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil antes que houvesse uma confirmação por parte da diplomacia brasileira sobre conceder o agrément.
Segundo um dos diplomatas, normalmente as diplomacias concordam com o agrément antes que a decisão seja anunciada. No caso do governo americano, a divulgação e a sabatina aconteceram antes que houvesse um aval por parte do Itamaraty.
Questionados se a embaixadora permanecerá nos Estados Unidos, diplomatas afirmaram que a situação de Maria Luiza Viotti ainda é incerta. O Itamaraty está discutindo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quais serão os próximos passos, já que se a embaixadora retornar ao Brasil ela precisaria eventualmente de um novo agrément para regressar ao território americano.



