Menos famosas, mais lucro: WEG, Totvs, as ‘desconhecidas’ que brilham na bolsa


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
23 de julho de 2020 às 12:11 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 15:29
Bolsa B3
Foto: Reuters/Amanda Perobelli

O mercado acionário chama cada vez mais atenção de investidores iniciantes, movimento ampliado pela queda de taxa de juros em boa parte dos países do globo. Com isso, analistas apontam um caminho natural para os iniciantes: investir em empresas populares, que conhecem. Não que isso seja necessariamente um problema, mas pode representar uma limitação na rentabilidade do investidor.

“Antes era preciso estudar, ler apostilas para aprender sobre a bolsa. Hoje em dia só é preciso apertar um botão para virar trader”, brinca William Alves, estrategista-chefe da Avenue, corretora brasileira que atua no mercado americano. “Então, a menos que este investidor novato vá pesquisar mais profundamente sobre os papéis presentes na bolsa, a tendência é que ele coloque seu dinheiro nas empresas suspeitas de costume.”

Lucas Carvalho, analista da Toro, corrobora com o sentimento e afirma que existe até uma explicação nas finanças comportamentais. Apesar disso, ambos acreditam que, com um pouco mais de pesquisa ou ajuda de profissionais da área, é possível “encontrar oportunidades disfarçadas”, seja em small caps que crescem em ritmo acelerado ou em empresas consolidadas sem tanta mídia.

Um grande exemplo disso é a Weg, empresa brasileira produtora de componentes elétricos. Ela reportou na quarta-feira (22) um lucro líquido de R$ 514,4 milhões no segundo trimestre de 2020, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. E, não demorou muito para o mercado reagir: após a divulgação dos resultados, as ações da empresa apresentaram uma alta de 13.8% no pregão de quarta, enquanto o Ibovespa fechou em queda de 0,02%, aos 104.289 pontos.  

Leia também:
Oi ignora oferta de concorrentes e negocia venda para Highline
Carteiras administradas: produto pensado para os ricos chega ao investidor comum
Como a safra de balanços do 2º tri pode afetar as ações do Ibovespa

A partir desta premissa, Alves e Carvalho listaram, a pedido do CNN Brasil Business, três empresas brasileiras e três companhias americanas que cumprem estes requisitos e podem ser boas opções para diversificar a sua carteira de investimentos. Confira abaixo:  

PETRORIO (PRIO3)

Quem é? A PetroRio é uma empresa de produção de petróleo, especializada na gestão de reservatórios e no redesenvolvimento de campos maduros. A expansão da companhia é baseada na aquisição de novos ativos em produçãoo e nos investimentos constantes no portfólio atual. Mudou o foco desde a reestruturação em 2014, saindo do ramo de exploração para a aquisição e desenvolvimento de campos maduros de petróleo e gás. Hoje, atua principalmente em 4 campos, na exploração e produção de petróleo e gás, sendo um na Bahia e três no Rio.

Números: Com margens EBITDA e líquida de 92% e 42%, respectivamente, a PetroRio é uma das empresas que mais cresce na bolsa em termos operacionais. No primeiro trimestre deste ano, o EBITDA cresceu mais de 450% (na comparação com o primeiro tri de 2019), enquanto conseguiu reverter o prejuízo em lucro líquido na comparação trimestral em questão. A posição confortável de caixa (US$158 milhões) permite que a empresa vislumbre aquisições de novos campos (desinvestimentos da Petrobras podem ajudar), o que pode impactar positivamente as métricas de resultado no futuro. 

Ações: As ações da PetroRio têm atraído atenção no mercado pelo extraordinário desempenho que apresentaram nos últimos tempos: mais de 233% de alta em 2019 e, na sequência, apenas no mês de janeiro de 2020, seus preços subiram mais 45%. No ano, a ação sobe 25,5%. A companhia vale R$ 8,6 bilhões em valor de mercado.

WEG (WEGE3)

Quem é? A WEG, fundada em 1961, atua nas áreas de comando e proteção, variação de velocidade, automação de processos industriais, geração e distribuição de energia e tintas e vernizes industriais. No país, o grupo tem sua sede e principais unidades industriais em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Suas demais fábricas estão espalhadas por outros cinco estados. No exterior, possui unidades fabris em 8 países, além de instalações de distribuição e comercialização em outros 17. Produzindo inicialmente motores elétricos, começou a ampliar suas atividades a partir da década de 80, com a produção de componentes eletroeletrônicos, produtos para automação industrial, transformadores de força e distribuição, tintas líquidas e em pó e vernizes eletro-isolantes.

Números: A Weg apresenta uma gestão operacional robusta, com ganhos de eficiência e de lucros consistentes ao longo dos últimos anos. A boa diversificação da empresa, com plantas em outros continentes também é um diferencial, uma vez que possibilita absorver ganhos de eficiência produtiva e logística decorrentes de se integrar a cadeias globais de produção. A margem EBITDA e líquida, de 17% e 12%, respectivamente, além de ROE (return on equity) próximo de 18%, são fatores que a colocam entre umas das empresas de melhor gestão operacional. 

Ações: As ações da Weg subiram 460% de janeiro de 2016 até o dia 21 de julho. No ano, elas sobem pouco mais de 72% e figuram entre as maiores altas do Ibovespa neste ano. A firma vale R$ 124,5 bilhões em valor de mercado. Nesta quarta-feira (22) lucro líquido de R$ 514,4 milhões no segundo trimestre, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.

TOTVS (TOTS3)

Quem é? A Totvs é uma das principais companhias de software para gestão de empresas no Brasil e na América Latina. A empresa, criada da fusão entre Microsiga e Logocenter, é sediada em São Paulo e opera em diversas soluções, como softwares de gestão integrada e plataformas de produtividade e consultoria.

Números: A Totvs possui atuação em diversos segmentos econômicos, o que a protege em parte diante de cenários de crise da economia. Com maiores margens ante os pares, a margem EBITDA e líquida na casa dos 20% e 11%, respectivamente, a empresa também se destaca pelo ROIC (return on invested capital) de mais de 8%, valor superior dentro da sua indústria de atuação, o que mostra que consegue gerar valor ao negócio. O crescimento do lucro líquido nos últimos trimestres também chama a atenção, com destaque para o crescimento de 247% no ano de 2019 na comparação com o ano de 2018.

Ações: As ações da Totvs subiram 194% de janeiro de 2019 até 21 de julho. No ano, elas sobem pouco mais de 22%. TOTS3 vale R$ 14,2 bilhões em valor de mercado. Futuras aquisições, além da sinergia das compras recentes, podem tornar esses múltiplos mais atrativos.

OLD DOMINION FREIGHT LINE (ODFL)

Quem é? A Old Dominion Freight Line nada mais é do que uma transportadora que opera na América do Norte. A empresa faz diversos tipos de transportes: regionais, inter-regionais, nacionais, transporte de contêineres, e até consultoria em na cadeia de suprimentos. A Old Dominion Freight Line, Inc. foi fundada em 1934 e está sediada em Thomasville, Carolina do Norte. Foi eleita pelo décimo ano seguido a melhor transportadora dos EUA em 2019. A empresa tem quase 20 mil funcionários e faz parte do S&P 500.

Números: Nos últimos 17 anos suas receitas cresceram 12.4% ao ano em média e nos últimos 3 anos seus lucros cresceram 27% ao ano. Possui mais caixa do que dívida, com US$ 310 milhões em caixa. Cerca de 99% das suas entregas ocorrem dentro do prazo e o número de reclamações caiu próximo a zero. Em média, a companhia tem 11% de Market Share de transportes de cargas nos EUA. De 2010 a 2019 ela investiu US$ 1,5 bilhão na compra de terrenos e espaços para seus centros de serviços. 

Ações: Suas ações sobem 47,19% este ano e triplicaram de valor nos últimos 5 anos – saindo de US$ 48 por ação em 2015 para US$ 160 por ação atualmente. A empresa vale US$ 18 bilhões na bolsa americana e tem um retorno sobre o patrimônio líquido de mais de 20%. Apesar disso, chegou a cair 16% no ano no auge da crise, mesmo com a intensificação do uso do transporte de cargas. 

OTIS ELEVATOR COMPANY (OTIS)

Quem é? Quer um business mais sem graça do que elevadores ou escadas rolantes? Não tem nada de novo, tecnológico, inovador ou disruptivo. Pois é, mas a empresa de Connecticut tem 167 anos de atuação, 69 mil funcionários e está presente em mais de 200 países, movendo cerca de dois bilhões de pessoas por dia. Essa presença pelo mundo fornece uma grande diversidade geográfica que a deixa menos dependente de um único mercado. Ela resulta de um spin off da United Technologies que se fundiu com a Raytheon Tech e desmembrou algumas de suas áreas.

Números: A empresa tem apresentado um crescimento de receitas típico de um mercado maduro, com receitas crescendo na média 1% ao ano e alcançando US$13 bilhões em 2019. Seu foco tem cada vez mais recaído em aumentar a base de elevadores instalados, ainda que com margem menor. Isso faz parte da estratégia da empresa de ganhar mais com os serviços e a manutenção dos elevadores instalados. Ou seja, ele baixa o preço do elevador e consegue assim ser competitivo, para focar na manutenção e serviços. Atualmente 57% das receitas da empresa vem de serviços e em termos de lucro eles representam 80%. 

Leia também:
Uber, Spotify: empresas que o público adora, mas vêm acumulando prejuízos
Elon Musk cala os críticos: Tesla registra quarto trimestre seguido de lucro
WEG tem alta no lucro no 2º tri ajudada por câmbio e negócios de longo prazo

Outro ponto é que o crescimento da urbanização da China tem gerado a força motriz por trás de qualquer tese de crescimento na empresa. Atualmente China representa 63% das vendas de novos equipamentos. A ideia é que nos próximos anos eles passem a representar geração de caixa da prestação de serviços. Até agora eles tem tido uma taxa de conversão de 90, ou seja, 90% dos clientes que compraram elevadores na China tendem a contratar o serviço de manutenção. Obviamente que existem desafios e nada garante que a sua estratégia vá dar certo.

Ações: A empresa é uma alternativa estável, para quem não busca fortes emoções. Já se valorizou 29.73% em 2020, mostrando que o mercado tem identificado valor e resiliência na empresa durante a crise financeira.

ROLLINS (ROL)

Quem é? A empresa fornece serviços de controle de pragas e cupins para clientes residenciais e comerciais dos EUA. O CEO, Gary Rollins, costuma dizer que barata e ratos não leem o WSJ, ou seja, as pestes não se preocupam com crises econômicas. Ela tem 3 verticais: residencial, comercial e cupins. Todos os 3 tem uma receita recorrente de mais de 80%. Basicamente você paga um valor mensal para irem ao seu estabelecimento ou casa e dedetizar. Já o segmento de cupins é menos recorrente. 

Números: Nos últimos 15 anos as receitas crescem em média 6,5% e seus lucros 9,3% ao ano – vale olhar o gráfico porque é um crescimento que impressiona pela estabilidade. No site de IR da empresa eles chamam atenção exatamente para isso: são 21 anos ininterruptos de crescimento de lucro. Da mesma forma, nesse mesmo período as margens de lucro também impressionam porque vieram aumentando ano após ano. Mesmo com a queda em 2019 o seu retorno sobre o patrimônio líquido roda em 25%.

Ações: No auge da pandemia e histeria do mercado as ações chegaram a cair 5%. No ano sobem 46,8% e nos últimos 10 anos as ações se valorizaram 580% contra 180% do S&P. A empresa vale US$ 14 bilhões na bolsa americana.

*Com informações da Reuters

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook