737 Max apresenta novos problemas e Boeing anuncia nova paralisação

Depois dos problemas que derrubaram dois aviões e mataram mais de 300 pessoas, o 737 Max volta a causar preocupações 

Chris Isidore, Gregory Wallace e Pete Muntean, do CNN Business, em Nova York
09 de abril de 2021 às 17:12
O Boeing 737 Max, que não voa desde 2019
O Boeing 737 Max, que não voa desde 2019
Foto: Divulgação/Boeing

 

A Boeing anunciou um novo problema com a atribulada linha 737 Max. Desta vez, a questão envolve o sistema elétrico da aeronave.

"A Boeing recomendou a 16 clientes que tratassem de um possível problema elétrico em um grupo específico de aviões 737 Max antes de novas operações", disse a empresa.

 

As companhias aéreas precisam verificar se um dos componentes do sistema elétrico do avião está funcionando dentro dos padrões, afirmou a Boeing. A empresa disse que está trabalhando com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) para resolver o problema.

Antes da descoberta do problema no sistema elétrico, os aviões da linha 737 Max já haviam sido impedidos de voar por 20 meses em todo o mundo, de março de 2019 a novembro de 2020, após dois acidentes fatais que mataram 346 pessoas.

Embora a autoridade dos EUA tenha aprovado as correções que a Boeing fez no sistema de segurança com defeito, que foi o responsável pelos acidentes, vários outros países, incluindo a China, ainda não liberaram o avião para voar novamente. O encalhe custou à Boeing mais de US$ 20 bilhões.

A Boeing não identificou quais 16 companhias aéreas nem quantos aviões foram afetados pelo problema.

Sistema elétrico central

O analista de segurança da CNN David Soucie disse acreditar que o problema envolve especificamente um backup do sistema de energia principal, que alimenta todas as partes elétricas da aeronave. O sistema pode ser comparado ao painel do disjuntor de uma casa.

O fato de os aviões estarem parados indica que se trata de um problema potencialmente "catastrófico", que poderia ter causado um incêndio, disse Soucie. Mas ele observou que é um bom sinal o fato de a potencial ameaça ter sido descoberta antes que houvesse um incidente.

 

Muitas companhias aéreas que possuem os problemáticos 737 Max estão ansiosas para colocá-los no ar novamente por questões econômicas. Essa versão do Boeing é mais eficiente no uso de combustível e requer gastos menores com manutenção do que as versões anteriores do 737, que permaneceram em serviço durante o a paralização dos novos modelos.

Após um ano de demanda muito fraca por viagens aéreas, o tráfego aéreo aumentou nos últimos meses, especialmente nos Estados Unidos. Até agora, as companhias aéreas não precisaram cancelar voos para substituir os aviões em suas frotas.

Quatro companhias aéreas dos Estados Unidos - Southwest, United, American e Alaska Air - têm os aviões 737 Max em suas frotas. A Southwest e a United fizeram pedidos de mais jatos 737 Max mesmo depois de as aeronaves serem proibidas de levantar voo após os acidentes causados pelo sistema de segurança.

A Southwest, que possui a maioria dos aviões 737 Max, disse, na sexta-feira, que o problema afeta 30 dos 58 jatos em sua frota. Ela diz que esses aviões serão substituídos por outras aeronaves e que "prevê uma interrupção mínima em nossa operação", uma vez que voa com esse modelo em uma programação limitada, e os aviões respondem por apenas uma fração de seus serviços.

A United disse que o problema afeta 16 de seus 30 aviões 737 Max.

"Estamos trabalhando para trocar aeronaves para minimizar o impacto aos nossos clientes", disse. "Estamos em comunicação com a Boeing para entender o cronograma e devolver a aeronave com segurança à nossa frota. Não temos uma estimativa no momento."

A American disse que o problema não afeta os 24 jatos 737 Max que mantinha em sua frota antes da interrupção dos voos, mas envolve 17 jatos novos que foram construídos durante ou após a parada e que foram entregues à companhia aérea desde novembro.

“Continuaremos a trabalhar com a FAA, Boeing e nossos líderes sindicais e suas equipes de segurança para que uma avaliação completa do problema seja apresentada”, disse a American, que foi a primeira companhia aérea dos Estados Unidos a iniciar voos com o Max, em dezembro.

A companhia disse, no mês passado, que não notou qualquer receio dos passageiros em voar no Max em comparação com outros aviões.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original)