Impasse da Opep+ e variantes da Covid-19 pesam no mercado de petróleo, diz AIE

Em 2022, a oferta da Opep+ deverá ter expansão de 1,6 milhão de bpd, reiterou a entidade

do Estadão Conteúdo
13 de julho de 2021 às 09:17
petróleo
Leilão para oferta permanente de petróleo pode ser ainda em 2020
Foto: Reprodução/ Agência Brasil

O recente fracasso da Opep+ - grupo formado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e dez aliados, incluindo a Rússia - de fechar um acordo para aliviar cortes em sua produção leva investidores do mercado de petróleo a enfrentar a contraditória situação de falta e excesso de oferta, avalia a Agência Internacional de Energia (AIE).

Em relatório mensal publicado nesta terça-feira (13), a entidade com sede em Paris diz que se a Opep não conseguir superar o impasse atual, o mercado de petróleo enfrentará a "perspectiva de um crescente déficit de oferta". Com o mercado global já tendo absorvido o excesso de oferta que se acumulou no início da pandemia de Covid-19, possíveis pressões inflacionárias podem prejudicar a frágil recuperação da economia mundial, prevê a AIE.

Ao mesmo tempo, a memória da guerra de preços do ano passado - que contribuiu para o tombo histórico do mercado de petróleo - permanece fresca na cabeça dos investidores, e "a possibilidade de uma batalha por participação de mercado, mesmo que remota, perdura sobre os mercados", acrescenta a AIE no documento.

Além das incertezas de oferta causadas pelo impasse da Opep+, o potencial impacto do aumento de casos de coronavírus nos planos de reabertura econômica de vários países ricos enfraquece a visibilidade da demanda, ressalta a AIE. Nas últimas semanas, a rápida propagação de variantes da Covid-19, como a delta, tem pesado nas cotações internacionais do petróleo.

A AIE revisou para cima sua estimativa de acréscimo na oferta de países fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) neste ano em 60 mil barris por dia (bpd), a 770 mil bpd. Em 2022, a oferta desse grupo deverá ter expansão de 1,6 milhão de bpd, reiterou a entidade.

A AIE também informou que os estoques de petróleo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tiveram avanço de 18,1 milhões de barris em maio, a 2,95 bilhões, interrompendo uma sequência de nove meses em queda. O volume, porém, ficou 10,8 milhões de barris abaixo da média do período pré-pandemia de 2015 a 2019.