Aumento de juros pelo BC não surpreende e deixa porta aberta para altas maiores

Banco Central elevou a taxa Selic de 10,75% para 11,75% ao ano nesta quarta-feira, e, na leitura de economistas, não está descartada elevação para até a faixa dos 13%

Prédio do Banco Central, em Brasília
Prédio do Banco Central, em Brasília 04/10/2021 REUTERS/Adriano Machado

Juliana Eliasdo CNN Brasil Business*

em São Paulo

Ouvir notícia

O aumento de 1 ponto na taxa Selic promovido nesta quarta-feira (16) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, apesar de elevar a taxa para perto dos 12%, já era amplamente esperado pelo mercado, que agora volta suas atenções para os próximos passos que o colegiado deve tomar nos meses à frente em relação à taxa básica de juros.

Com o ajuste, a Selic subiu de 10,75% para 11,75%, e o BC já informou no comunicado divulgado junto à decisão desta quarta que um novo aumento de 1 ponto, para 12,75%, deve ocorrer em seu próximo encontro, em maio. O número também está linha com o que já vinha sendo esperado pelo mercado.

O ponto de atenção, agora, fica em relação ao que pode acontecer depois. Uma grande parte dos economistas já acredita em um terceiro aumento mais à frente, elevando a taxa para cima dos 13%, e o próprio BC deixou a porta aberta para essa possibilidade em seu comentário.

“O Banco Central sinalizou que irá continuar apertando a taxa enquanto persistir um cenário maligno para a inflação, e nesse sentido teremos que monitorar com atenção a inflação e os preços de commodities para saber se irá insistir em mais altas”, disse o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

A projeção da corretora é que a Selic seja elevada até os 13,25% nas próximas reuniões, e encerre o ano neste patamar.

Tatiana Nogueira, economista da XP, destaca o fato de o Copom ter delineado, no comunicado, dois cenários possíveis à frente para a economia e, portanto, para a Selic, o que não é comum em seus relatórios. No cenário alternativo, o comunicado levanta a hipótese de que os choques atuais sejam mais temporários e a inflação, no ano que vem, acabe mais baixa.

“Apesar de sinalizar uma nova alta de igual magnitude na próxima reunião, a nossa leitura é que eles deixaram as portas abertas para diferentes decisões ao abrirem a possibilidade de dois cenários, um com inflação mais alta e o outro com a inflação na meta [em 2023]”, disse Tatiana.

No cenário de referência, as projeções do Copom falam em uma inflação a 7,1% ao fim de 2022 e 3,4% em 2023. No cenário alternativo, com preços de commodities cedendo mais cedo, essas projeções caem para 6,3% e 3,1%, respectivamente.

O especialista em renda fixa da Suno Research, Vinicius Romano, destaca o fato de os juros futuros, precificados pelo mercado conforme as expectativas em relação à trajetória que os juros básicos devem tomar ao longo do tempo, seguem ainda levemente pressionados.

“Ao analisarmos o comunicado referente a esta reunião do Copom, os ajustes refletidos nos juros futuros estão um pouco acima do que o caminho que o BC quer seguir”, afirmou o analista.

“Basicamente, isso significa que o mercado está “pedindo” mais juros do que supõe o cenário do Banco Central.”

Mais Recentes da CNN