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    Fusões e aquisições no Brasil têm valor recorde da década em 2021, diz estudo

    Valor ultrapassou mais de R$ 344 bilhões, e foi o maior desde 2010, impulsionado por IPOs e vendas de ativos do poder público

    Grandes transações, com valor acima de R$ 10 bilhões, representaram cerca de 50% do valor total movimentado em 2021
    Grandes transações, com valor acima de R$ 10 bilhões, representaram cerca de 50% do valor total movimentado em 2021 Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    As fusões e aquisições no Brasil atingiram em 2021 o maior valor desde 2010, segundo um relatório da consultoria Bain & Company divulgado na terça-feira (8). Ao todo, foram movimentados US$ 66 bilhões (cerca de R$ 344 bilhões).

    Segundo o estudo, a maior parte desse resultado está ligada ao grande volume de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs na sigla em inglês) e a um contexto macroeconômico que favoreceu essas operações, com uma taxa de juros baixa e o dólar valorizado ante o real.

    O relatório aponta que as grandes transações, com valor acima de R$ 10 bilhões, representaram cerca de 50% do valor total movimentado em 2021. A maioria foi voltada para a consolidação em setores.

    Dentre os exemplos que o relatório traz está a fusão entre a Hapvida e a NotreDame Intermédia na área de saúde e a compra da Biosev pela Raízen, na área de energia. Já no setor de transportes, a Localiza se fundiu com a Unidas, enquanto no varejo o Carrefour adquiriu o grupo BIG.

    O número de acordos no setor de tecnologia duplicou desde 2016, mas segundo o relatório equivale a cerca de 30% do total de acordos e foi responsável por 5% do valor total em 2021.

    A consultoria destaca ainda que, em 2021, o número de IPOs atingiu um volume recorde, com 46 operações, movimentando R$ 64 bilhões, um valor maior que a máxima histórica registrada em 2020.

    Segundo o relatório, o cenário positivo foi influenciado por fatores macroeconômicos no ano, com uma liquidez alta e juros mais baixos, mas também pelo aumento do número de investidores no mercado brasileiro que passaram a buscar retornos maiores no mercado de capitais.

    O estudo aponta que muitas companhias brasileiras que realizaram IPOs em 2021 reportaram a intenção de usar ao menos uma parte dos recursos levantados nesse processo para realizar aquisições.

    Segundo a Bain & Company, isso ocorreu em 50% das empresas, e 61% das integrantes desse grupo efetivamente realizou operações de aquisição até o início de 2022. Para a consultoria, isso sugere que novas compras podem ocorrer ao longo do ano.

    Além da geração de capital com IPOs que pode ser usada para fusões e aquisições, a consultoria cita no relatório a agenda governamental de venda de ativos controlados pelo poder público, citando as concessões na área de saneamento em estados como Alagoas, Amapá e Rio de Janeiro que representaram cerca de R$ 30 bilhões.

    As concessões de aeroportos totalizaram R$ 3,3 bilhões, enquanto as vendas de refinarias pela Petrobras movimentaram R$ 9,1 bilhões.

    Para 2022, a consultoria destaca a privatização da Eletrobras, o leilão de oito terminais portuários, incluindo no Porto de Santos, e novos leilões de saneamento.

    Ainda para este ano, a consultoria estima que as fusões e aquisições devem continuar aquecidas, mas alerta que o ambiente pode ser impactado negativamente por choques globais de oferta e demanda, incertezas com a pandemia e as eleições presidenciais e um desempenho macroeconômico ruim do Brasil, com juros e inflação elevados.

    A nível global, as fusões e aquisições também atingiram um recorde de valor em 2021, somando US$ 5,9 trilhões, em um ano de recuperação após um desempenho ruim em 2020, com a pandemia.

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