Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Ibovespa fecha em queda de 1,6% com baixa de commodities; dólar sobe a R$ 5,12

    Principal índice da B3 terminou o dia aos 109.927,62 pontos, enquanto a moeda norte-americana encerrou cotada a R$ 5,12

    Foco dos investidores está nas reuniões de política monetária nos EUA e Brasil
    Foco dos investidores está nas reuniões de política monetária nos EUA e Brasil Austin Distel/Unsplash

    João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    Ouvir notícia

    O Ibovespa caiu 1,60%, aos 109.927,62 pontos, nesta segunda-feira (14), acompanhando o mau humor externo com a perspectiva de alta de juros nos Estados Unidos, que atrairia investimentos para a renda fixa do país, e as fortes quedas de ações ligadas a commodities e com grande peso no índice – em especial o minério de ferro e o petróleo.

    A commodity ferrosa caiu com o aumento de casos Covid-19 na China e a implementação de lockdown em na área de Shenzhen, um centro economicamente relevante, enquanto o petróleo corrigiu seu preço após atingir recordes com a guerra na Ucrânia.

    Já o dólar encerrou o dia em alta de 1,31%, a R$ 5,12, com o real prejudicado pela queda de commodities, cujos preços altos tornam o mercado brasileiro mais atrativo.

    Tanto o movimento do principal índice da B3, quanto da moeda norte-americana, apontam que os investidores estão cautelosos com as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. E que o mercado está atento à projeção de que o Federal Reserve iniciará um ciclo de alta, e no Brasil, onde o mercado projeta elevação de 1 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

    Vale destacar que a partir desta segunda-feira (14), a bolsa brasileira, ou B3, retomou o horário normal de funcionamento, das 10h até as 17h, horário de Brasília. Assim, o dólar e o índice fecharão no mesmo horário.

    Na semana anterior, a moeda norte-americana recuou 0,48%, encerrando a sexta-feira (11) cotada a R$ 5,054. Já o Ibovespa teve queda de 2,4%, na casa dos 111 mil pontos.

    Petróleo

    Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia no dia 24 de fevereiro, os mercados de petróleo mostram a maior volatilidade em dois anos, com os preços da commodity chegando a bater níveis vistos pela última vez em 2008.

    O movimento dos últimos dias, de leve recuo e rondando a casa dos US$ 110 o barril, é reflexo do comprometimento russo e de outros países exportadores de cumprir obrigações contratuais. Alguns investidores dizem que as preocupações com a interrupção do fornecimento foram exageradas.

    Nesta segunda-feira, o petróleo nos Estados Unidos fechou a US$ 103,01, com queda de 5,78%. E o WTI terminou o dia a US$ 106,90, com desvalorização de 5,12%.

    O principal fator para a alta é o descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep+, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia, e o quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

    Uma consequência da alta do petróleo, porém, é a elevação do preço dos combustíveis. No Brasil, isso acelerou a aprovação de projetos de lei que buscam conter a alta nos preços dos combustíveis também seguem no radar do mercado.

    O Congresso aprovou uma proposta que altera o cálculo do ICMS, que já foi sancionada pelo presidente, enquanto outra que cria um fundo de estabilização de preços já passou no Senado e precisa ser analisada na Câmara.

    Apesar de representarem gastos adicionais ao governo, a aprovação foi vista como positiva pelos investidores, pois deve evitar o avanço de propostas que teriam riscos fiscais ainda maiores.

    Política do Fed

    Simão Silber, professor da FEA-USP, afirma ao CNN Brasil Business que o dólar é a moeda mais importante do mundo, e os títulos do tesouro emitidos nos Estados Unidos, chamados de Treasuries, possuem “muita credibilidade”.

    “Isso significa que qualquer aumento de taxa de juros aumenta a atratividade de comprar títulos americanos. E o dinheiro sai de algum lugar para ir pra lá, particularmente dos países emergentes, como o Brasil”, diz o professor.

    Ao mesmo tempo, ele afirma que, com os juros baixos em todo o mundo durante o período da pandemia, e com o mercado financeiro recebendo mais dinheiro de bancos centrais como estímulo, o mercado acionário global “disparou nesses anos”.

    Para especialistas consultados pelo CNN Brasil Business, o impacto negativo nos mercados é natural nesse processo de alta dos juros, e tende a se repetir conforme o Fed continua seu movimento mais contracionista.

    Copom

    No caso dos efeitos no Brasil, André Perfeito economista-chefe da Necton Investimentos, afirma que é importante levar em conta o processo de alta da taxa básica de juros, a taxa Selic, que começou em 2021 e deve continuar em 2022 devido à inflação elevada, com a previsão de um encerramento entre 11% e 12% ao ano.

    “O conjunto disso pode tornar não tão agudo esse processo de valorização do dólar em relação ao real. Tem espaço até para apreciação do real devido aos juros e a expectativa de superávit na balança comercial”, afirma.

    Ao mesmo tempo, os juros maiores afetam ações, em especial a dos chamados setores alavancados, que tomam empréstimos cujo valor sobe com conforme os juros se elevam. O setor de tecnologia é um dos mais alavancados, e as ações tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos caem conforme altas de juros são sugeridas.

    Perfeito avalia, porém, que a elevação da Selic pode não ser tão ruim assim para a bolsa de valores. “A gente viu uma taxa disfuncional de 2%. Acho que agora, com um patamar mais razoável na percepção de risco, os preços já se ajustaram.

    Mesmo com eventuais altas, o risco está mais precificado. De um lado é ruim, cria um problema de fluxo de caixa, mas o preço dos ativos já estão corrigidos, e tem percepção de risco mais equilibrada”.

    Guerra na Ucrânia

    Acompanhe a cobertura ao vivo da CNN sobre o conflito.

    Duas semanas depois que o presidente russo, Vladimir Putin, invadiu a Ucrânia, as forças terrestres do país estão trabalhando para tomar território, com a capital ucraniana, Kiev, resistindo por muito mais tempo do que o previsto anteriormente.

    Os dois países realizam nesta segunda-feira (um quarto encontro para negociações de um cessar-fogo de 24 horas para ajuda aos civis. Porém, o evento teve uma “pausa técnica” e será concluída nesta terça-feira (15).

    Ainda hoje, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que uma perspectiva de conflito nuclear está “dentro da possibilidade”.

    Os russos querem que a Ucrânia mude sua Constituição para resguardar neutralidade (fora da Otan), além de considerar Crimeia como território russo e reconhecer as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.

    Enquanto as negociações sofrem uma “pausa técnica”, os russos prosseguem com os ataques em diversas cidades ucranianas. A capital, Kiev, também foi alvoVárias explosões pesadas foram relatadas.

    Algumas das explosões podem ter sido causadas por armas da defesa aérea ucranianas visando aeronaves russas ou mísseis de cruzeiro. Vários rastros de fumaça subindo ao céu puderam ser vistos do centro de Kiev, relatou a reportagem da CNN americana.

    Também nesta segunda-feira, a Ucrânia busca retirar civis por 10 “corredores humanitários”, inclusive de cidades próximas à capital Kiev e na região leste de Luhansk, disse a vice-primeira-ministra Iryna Vereschuk.

    Já do ponto de vista econômico, o principal acontecimento envolvendo o conflito é a série de sanções anunciadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

    Dentre elas estão a expulsão de bancos russos do Swift, um sistema global de pagamentos, e o congelamento de reservas do banco central da Rússia.

    Os países que apoiam a Ucrânia já afirmaram que devem implementar novas sanções contra a Rússia, que viu sua moeda, o rublo, despencar e atingir uma mínima histórica.

    Putin, por outro lado, afirmou que as sanções ocidentais contra a Rússia não são legítimas e que os governos estão enganando seu próprio povo. Também destacou que o país resolveria seus problemas com calma.

    O VIX, chamado de “índice do medo” por tentar medir o grau de volatilidade do mercado, subiu e rondou os 32 pontos.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques desta segunda-feira:

    Maiores altas

    • JHSF (JSHF3) +6,24%;
    • Santander (SANB11) +4,36%;
    • Sabesp (SBSP3) +1,41%;
    • Itaú (ITUB4) +1,41%;
    • Pão de Açúcar (PCAR3) +1,31%

    Maiores baixas

    • Magazine Luiza (MGLU3) -6,33%;
    • CSN (CMIN3) -6,21%;
    • CSN (CSNA3) -5,83%;
    • PetroRio (PRIO3) -5,42%;
    • Vale (VALE3)V – 5,36%

    *Com informações da Reuters e da CNN 

    Mais Recentes da CNN