Ibovespa fecha em alta de 1,22% com commodities; dólar recua a R$ 5 com juros

Principal índice da B3 encerrou o dia aos 108.232,74 pontos, enquanto a moeda norte-americana teve desvalorização de 0,14%

João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O Ibovespa encerrou em alta de 1,22%, aos 108.232,74 pontos, nesta segunda-feira (16), seguindo a alta nas ações ligadas a commodities, em especial da Vale e de outras empresas do setor de siderurgia após o minério de ferro fechar em alta na China, apesar dos dados de abril, com a perspectiva de alívio nas próximas semanas das restrições ligadas à Covid-19.

Por outro lado, uma desaceleração da economia chinesa, a segunda maior do mundo, tende a impactar negativamente a economia global, em especial de grandes exportadores para o país, caso do Brasil, por conta da redução de demanda por commodities.

Já o dólar fechou em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,050, impactado pelas falas do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra. Ele não descartou a possibilidade de novas altas de juros após a reunião de junho, incentivando apostas em uma taxa Selic terminal maior, o que atrairia investimentos para o Brasil.

Por volta das 16h, a moeda norte-americana reverteu o movimento de alta ao longo da sessão ligado a um aumento do pessimismo entre investidores por conta dos dados fracos da economia da China reforçarem temores de uma recessão econômica global.

Na semana anterior, o dólar teve queda de 0,31%, encerrando a sexta-feira (13), a R$ R$ 5,057. Já o Ibovespa acumulou alta de 1,7%, fechando a semana em 106.924,18 pontos.

Minério de Ferro

Os contratos futuros de minério de ferro na China subiram nesta segunda-feira, apoiados por preocupações com a oferta e redução dos estoques do ingrediente siderúrgico, enquanto a flexibilização de algumas restrições relacionadas à Covid-19 na maior produtora de aço do mundo também elevou o ânimo dos traders.

O contrato de minério de ferro mais negociado em setembro na bolsa de commodities de Dalian na China encerrou as negociações diurnas em alta de 3,9%, a 834,50 iuanes (US$ 122,80) a tonelada, após registrar sua maior perda semanal em quase três meses na sexta-feira.

Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo para junho subiu 1,3%, para US$ 128,60 a tonelada.

“A queda nos embarques e nas chegadas de minério de ferro australianos e brasileiros à China semana a semana deve fornecer um suporte modesto para o sentimento frágil”, disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities em Cingapura.

O minério de ferro e outros insumos siderúrgicos também foram sustentados após relatos de que Xangai reabrirá gradualmente os negócios após semanas de lockdown, disse Widnell.

O carvão metalúrgico de Dalian subiu 6,1% e o coque saltou 5,4%.

China

A atividade varejista e industrial da China caiu bruscamente em abril, uma vez que os lockdowns contra a Covid-19 confinaram trabalhadores e consumidores a suas casas e afetou gravemente as cadeias de abastecimento, lançando uma sombra sobre as perspectivas para a segunda maior economia do mundo.

As vendas no varejo despencaram 11,1% em abril em relação ao ano anterior, a maior contração desde março de 2020, mostraram dados da Agência Nacional de Estatísticas nesta segunda-feira (16), um declínio mais acentuado do que o previsto em pesquisa da Reuters.

A produção das fábricas caiu 2,9% em relação ao ano anterior, contrariando expectativa de aumento e marcando o maior declínio desde fevereiro de 2020, já que as medidas conta o vírus afetaram as cadeias de abastecimento e paralisaram a distribuição.

Analistas agora advertem que a atual retração da China pode ser mais difícil de ser superada do que a observada durante o início da pandemia do coronavírus no começo de 2020, sendo improvável que as exportações aumentem e com as autoridades limitadas em suas opções de estímulo.

“O resultado final é que, embora o pior já tenha passado, acreditamos que a economia chinesa terá dificuldades para voltar à sua tendência pré-pandemia”, disseram analistas da Capital Economics.

Os investimentos em ativos fixos, com os quais Pequim conta para sustentar a economia à medida que as exportações perdem impulso, subiram 6,8% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com um aumento esperado de 7,0%.

Pessimismo global

O instigador mais recente da aversão global a riscos foi a alta de juros nos Estados Unidos, anunciada pelo Federal Reserve na quarta-feira (4). Apesar de descartar altas de 0,75 p.p. ou um risco de recessão, a autarquia sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança, mas prejudica as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Junto com uma série de elevações de juros pelo mundo, os lockdowns na China para tentar conter a Covid-19 aumentam as projeções de uma forte desaceleração econômica, prejudicando os mercados.

O crescimento das exportações chinesas desacelerou a um dígito, nível mais fraco em quase dois anos, enquanto as importações mal mudaram em abril, ampliando as preocupações econômicas.

Efeitos no real

Retornando aos R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influenciaram no fluxo de compra e venda da moeda.

Ao CNN Brasil Business, especialistas associaram essa valorização recente a dois principais fatores: a perspectiva de altas maiores de juros nos Estados Unidos e os temores em relação aos lockdowns estabelecidos em uma série de cidades economicamente relevantes na China.

Os juros norte-americanos maiores tendem a atrair investimentos para o mercado de títulos do Tesouro do país, retirando capital de mercados considerados mais arriscados que o dos Estados Unidos, caso do Brasil.

Já as medidas de controle de disseminação da Covid-19 na China, que afetam cidades como Xangai e Pequim, tendem a reduzir a demanda da segunda maior economia do mundo por commodities, prejudicando seus principais fornecedores, entre eles o Brasil, e influenciando negativamente nos preços desses produtos.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta segunda-feira:

Maiores altas

  • Méliuz (CASH3) +6,25%;
  • SLC Agrícola (SLCE3) +5,42%;
  • Eztec (EZTC3) +5,22%;
  • Eneva (ENEV3) +5,15%;
  • Ultrapar (UGPA3) +5,12%

Maiores baixas

  • Locaweb (LWSA3) -3,11%;
  • Embraer (EMBR3) -3,03%;
  • Hapvida (HAPV3) -2,24%;
  • Minerva (BEEF3) -2,04%;
  • JBS (JBSS3) – 1,89%

*Com informações da Reuters

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