Ibovespa recua 2,52%, maior queda em 3 meses; dólar encerra estável

Principal índice da B3 encerrou o dia aos 111.593,46 pontos, enquanto a moeda norte-americana teve leve alta de 0,02%, cotada a R$ 5,079

João Pedro Malar e Artur Nicoceli, em São Paulo
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O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (7) em queda de 2,52%, aos 111.593,46 pontos. Essa é a maior queda percentual diária desde 26 de novembro de 2021, quando recuou 3,39%, por temores com a variante Ômicron que começava a espalhar na época.

O índice foi impactado nesta segunda-feira pela aversão global a riscos maior com a possibilidade de que a compra de petróleo russo seja bloqueada devido à guerra na Ucrânia.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) desabaram 7,65% com a política de preços da estatal em foco, enquanto bancos também recuaram. Vale ficou na ponta oposta, após nova sessão de ganhos do minério de ferro.

Já o dólar fechou o dia com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,079, em um dia marcado pela forte volatilidade, e também refletindo um ciclo favorável para o real com a alta das commodities, em especial o petróleo, e os juros elevados no Brasil.

A escalada da tensão na guerra na Ucrânia aumenta a aversão a riscos dos investidores e a busca pelo dólar. O índice DXY, que compara a moeda frente a outras, subiu mais de 0,8%, nesta tarde.

Na semana anterior, o dólar caiu 1,52%, enquanto o Ibovespa registrou alta de 1,17%.

Petróleo

Os preços do petróleo vêm escalando desde que a Rússia invadiu a Ucrânia. Analistas e traders acreditam que o furor recente pode ser apenas o começo, já que os avisos de US$ 200 por barril começam a se espalhar pelo mercado.

O preço da commodity atingiu seu nível mais alto desde 2008 nesta segunda-feira (7), quando os países ocidentais pesaram um embargo ao petróleo da Rússia, o segundo maior exportador do mundo.

Os contratos futuros da commodity dos EUA saltaram 6% e foram negociados a US$ 123 o barril. O petróleo Brent, a referência global, atingiu brevemente US$ 139 o barril antes de cair para US$ 125. Isso é um salto de mais de 35% em apenas um mês.

Um levantamento com 35 economistas e analistas previu que o petróleo Brent teria uma média de cerca de US$ 91,15 por barril este ano, um salto em relação ao consenso de US$ 79,16 de janeiro, e a estimativa mais alta para 2022 em todas as pesquisas da Reuters.

O principal fator para a alta é o descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep+, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia, e o quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

Commodities

Outra consequência da invasão é a alta nos preços de commodities, principalmente as ligadas à Rússia e à Ucrânia, caso do milho, trigo e do petróleo.

O gás natural subia hoje mais de 70%, para o maior nível da história, equivalente a US$ 600 o barril do petróleo.

O trigo tem em alta de 7% nesta segunda-feira, e acumula valorização de 75% no ano. De acordo com a Necton, a valorização do real pode reduzir esse aumento para perto de 55%.

Ao mesmo tempo, a situação na Ucrânia  pode impactar nos benefícios para o real de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities e vistos como baratos, com o Brasil.

O mercado doméstico pode ser beneficiado também pelos juros altos, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve.

O ciclo estava ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia.

Por outro lado, intervenções do governo chinês no mercado têm gerado pressões de queda, em um sobe e desce na cotação.

Guerra na Ucrânia

O foco dos investidores segue na guerra na Ucrânia e os seus desdobramentos. Em apenas 11 dias, mais de 1,7 milhão de pessoas precisaram fugir da Ucrânia por conta da guerra iniciada com a invasão de forças russas no último dia 24.

De acordo com a agência da ONU para refugiados, a ACNUR, “esta é agora a crise de refugiados que mais cresce na Europa desde a Segunda Guerra Mundial”.

E, nesta segunda-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, fez um apelo pela imposição de novas sanções internacionais contra a Rússia por sua invasão da Ucrânia, propondo um boicote às exportações russas de petróleo e de outros produtos e uma paralisação das exportações para a Rússia.

Do ponto de vista econômico, o principal acontecimento envolvendo o conflito é a série de sanções anunciadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

Dentre elas estão a expulsão de bancos russos do Swift, um sistema global de pagamentos, e o congelamento de reservas do banco central da Rússia. Os países que apoiam a Ucrânia já afirmaram que devem implementar novas sanções contra a Rússia, incluindo uma possível proibição de compra do petróleo do país, que viu sua moeda, o rublo, despencar e atingir uma mínima histórica.

As sanções ocidentais impostas por causa do ataque militar russo já isolaram a Rússia a um grau nunca antes experimentado por uma economia tão grande.

Na última semana, as forças russas assumiram o controle usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa. O governo ucraniano informa que os reatores estão preservados, mas o alerta de risco segue ligado.

O VIX, chamado de “índice do medo” por tentar medir o grau de volatilidade do mercado, avançava e rondava os 34 pontos, por volta das 17h, após chegar ao maior nível desde setembro de 2020.

Acompanhe a cobertura ao vivo da CNN sobre o conflito.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta segunda-feira:

Maiores altas

  • VALE (VALE3) +3,04%;
  • Bradespar (BRAP4) +2,67%;
  • Rumo (RAIL3) +1,97%;
  • Marfrig (MRFG3) +1,62%;
  • Suzano (SUZB3) +1,31%

Maiores baixas

  • Azul (AZUL4) -18%;
  • Gol (GOLL4) -16,82%;
  • CVC (CVCB3) -10,49%;
  • Americanas (AMER3) -10,24%;
  • Alpargatas (APLA4) -9,87%;

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*Com informações de Thais Herédia, Julia Horowitz, e da Reuters

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