Juro elevado faz dívida crescer rapidamente, diz professor
De acordo com Souza, facilidade de acesso ao crédito, especialmente por meio de cartões, é um dos fatores que impulsionam problema
O aumento das taxas de juros no Brasil tem acelerado o crescimento das dívidas das famílias e contribuído para um ciclo persistente de inadimplência, segundo avaliação de José Carlos de Souza, professor da FIA Business School.
Em entrevista ao CNN Money, o especialista afirma que o cenário atual combina crédito abundante com custos elevados, criando um ambiente propício ao superendividamento.
De acordo com Souza, a facilidade de acesso ao crédito, especialmente por meio de cartões, é um dos fatores que impulsionam o problema. No entanto, o principal agravante está no nível dos juros.
“A taxa de juros muito elevada acaba fazendo com que estas dívidas, uma vez numa condição de inadimplência, cresçam de forma muito rápida”, afirma.
Nesse contexto, débitos que inicialmente parecem administráveis podem rapidamente sair do controle.
O diagnóstico ocorre em um momento em que dados do Banco Central apontam aumento da inadimplência, mesmo após iniciativas como o programa Desenrola, que renegociou dívidas de milhões de brasileiros.
Segundo o professor, há um efeito de “ciclo vicioso”: políticas de renegociação aliviam temporariamente a situação, mas o problema tende a reaparecer diante de fatores estruturais, como renda insuficiente e falta de educação financeira.
“O que acontece é que, depois de um tempo, as pessoas voltam a ter dificuldades para honrar seus compromissos”, explica.
Ele ainda destaca que o uso recorrente do crédito para atender necessidades básicas, somado ao alto custo financeiro, contribui para a reincidência da inadimplência.
O professor também chama atenção para propostas em estudo pelo governo, como uma nova fase do programa de renegociação, o chamado Desenrola 2.0, e a possibilidade de uso do FGTS para quitar dívidas. Na avaliação dele, essas medidas podem aliviar o problema no curto prazo, mas carregam riscos no longo prazo.
“Estamos trazendo ao presente uma renda futura. Isso pode gerar insuficiência lá na frente, se não houver melhora na renda e redução dos juros”, afirma.
Nesse cenário, o especialista reforça a importância da educação financeira como ferramenta para mitigar o problema. Para ele, compreender o custo real do crédito e planejar melhor o consumo são passos fundamentais para evitar o efeito “bola de neve” das dívidas.
“Uma compra parcelada pode embutir juros que passam despercebidos. Quando somadas, essas operações podem gerar um impacto significativo no orçamento”, conclui Souza.


