Alta do petróleo terá impactos agregados, diz Firjan
Gerente de projetos de petróleo da entidade alerta ao impacto nos preços de combustíveis, derivados e até energia elétrica no Brasil
A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado uma disparada nos preços do petróleo, que já ultrapassam os US$ 100 por barril, gerando preocupação sobre os impactos para a economia brasileira.
Em entrevista ao CNN Money, Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo da Firjan, disse que as consequências vão além do preço do barril e afetam toda a cadeia produtiva nacional.
"Tem impacto para todos nós, não é só o petróleo, são os derivados, tem toda a parte de fertilizantes, então isso vai ganhando numa escala que impacta o dia a dia das indústrias e impacta a todos nós na sociedade", explica Valejo.
O especialista prevê que os preços devem permanecer acima dos US$ 100 por um tempo considerável, enquanto o ambiente de incertezas persistir.
Impactos na economia brasileira
O Brasil enfrenta uma situação ambivalente neste cenário. Por um lado, como exportador de petróleo, o país pode se beneficiar com a alta dos preços. Por outro lado, a dependência do transporte rodoviário para escoamento da produção nacional torna a economia vulnerável ao aumento dos combustíveis.
"Por um lado, é muito bom quando a gente enxerga apenas a nossa exportação de óleo. Mas por outro, a gente tem que conviver com os preços de derivados de combustíveis", pondera Valejo.
Ele ressalta que o Brasil possui uma extensa malha rodoviária e que a logística de escoamento de boa parte da produção depende desse modal de transporte.
O gás natural também é motivo de preocupação. O Brasil importa gás natural liquefeito, utilizado para o despacho de usinas térmicas. Com o aumento dos preços internacionais, há risco de impacto na conta de energia elétrica dos brasileiros.
Indústria em alerta
Para a indústria brasileira, os efeitos podem ser ainda mais amplos. Além dos combustíveis, há preocupação com o aumento de custos de lubrificantes e outros derivados de petróleo utilizados na manutenção de maquinários e bens de capital.
"A gente tem outros distribuidores, importadores de lubrificantes e de derivados de combustíveis que vivem essa dinâmica e talvez não tenham tanta capacidade de reter esse preço", alerta Valejo, sugerindo que alguns fornecedores podem não conseguir absorver a volatilidade dos preços como a Petrobras.
A Firjan tem monitorado de perto a situação para avaliar os impactos na competitividade das indústrias.
A extensão dos efeitos dependerá da duração do conflito e de quantos países da região serão afetados. Notícias recentes sobre ataques a refinarias na região seguem pressionando o mercado internacional.
O cenário global também contribui para a alta dos preços. Kuwait, quinto maior produtor da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), realizou cortes preventivos de produção devido à dificuldade de escoamento.
Emirados Árabes Unidos reduziram sua produção ao longo do fim de semana, enquanto o Iraque registrou queda de 70% na produção em alguns polos no sul do país. Com oferta reduzida e demanda mantida, os preços seguem pressionados para cima.


