Amazon revela que quase 20 mil funcionários tiveram Covid-19

É a primeira vez que a companhia divulga cifra

Sara Ashley O'Brien, do CNN Business
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A Amazon revelou nesta quinta-feira (1º) que 19.816 de seus funcionários nos Estados Unidos, tanto na própria empresa quanto na rede de supermercados Whole Foods, testaram positivo ou presumiram ter o novo coronavírus. É a pela primeira vez que a empresa fala sobre como sua força de trabalho foi impactada pela pandemia da Covid-19. 

A Amazon repetidamente resistiu em compartilhar dados amplos com o público e com os próprios funcionários sobre o número total de casos confirmados em seus armazéns, que se tornaram pontos cruciais de itens básicos durante a pandemia.

Apesar de vários casos confirmados em armazéns da empresa em todo o país e ao redor do mundo, a gigante do e-commerce minimizou a importância de divulgar dados locais e agregados, dificultando um panorama geral das infecções em seus locais de trabalho.

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Em um post no blog, a companhia afirmou que fez uma "análise compreensiva dos dados sobre todos os 1.372.000 funcionários da Amazon e do mercado Whole Foods empregados nos EUA durante qualquer data entre 1º de março e 19 de setembro de 2020". 

A Amazon disse que, então, comparou sua taxa de casos à da população geral durante o mesmo período, usando dados da universidade Johns Hopkins, e alegou que o número de casos positivos era 42% menor do que o esperado, baseado na comparação. 

O CNN Business pediu um detalhamento dos casos na Whole Foods e na Amazon para entender como essas taxas se comparariam à população geral, mas a Amazon negou. 

Dave Ckark, o vice-presidente sênior de operações globais da Amazon, disse anteriormente que o número total de casos "não é particularmente útil porque é relativo ao tamanho do prédio e à taxa geral de infecção na comunidade" em uma entrevista ao programa 60 Minutes, do canal CBS, que foi ao ar em maio. A empresa parece agora estar abordando o assunto de maneira diferente. 

A segurança dos armazéns se tornou uma área de escrutínio intenso, conforme os negócios da Amazon continuaram a crescer mesmo em meio à queda da economia geral frente à recessão induzida pela pandemia.

O CEO Jeff Bezos, a pessoa mais rica do mundo, viu sua fortuna pessoal subir dezenas de bilhões de dólares neste ano.

Em uma carta enviada à Bezos e ao CEO da Whole Foods, John Mackey, em maio, mais de uma dúzia de promotores pediram que as companhias divulgassem um detalhamento por estado de casos confirmados da Covid-19 em seus locais de trabalho como parte de pedidos mais amplos relacionados à saúde e segurança dos trabalhadores. 

Para preencher o vácuo de informações, funcionários e grupos ativistas correram para estimar o número de casos colaborativamente para monitorar a transmissão do vírus nas instalações da Amazon.

Houve ao menos 10 mortes entre os funcionários de armazéns da Amazon que foram diagnosticados com o novo coronavírus. Funcionários em várias localidades da Amazon e Whole Foods fizeram greves pelas condições nos locais de trabalho. 

A empresa diz ter tomado uma série de medidas para prevenir o contágio do vírus, incluindo mais de 150 "mudanças de processo" nas operações para aumentar a segurança. 

Os dados sobre as infecções pelo novo coronavírus foram divulgados conforme a Amazon se prepara para o seu Prime Day anual em 13 e 14 de outubro, que é um período acirrado para os funcionários que fazem entregas.

A empresa anunciou no mês passado que tinha planos de contratar 100 mil funcionários adicionais para a sua rede de operações. Desde março, a Amazon contratou 100 mil novos funcionários em semanas para atender as demandas crescentes dos consumidores, e disse que contrataria outros 75 mil em abril. 

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