Análise: Apesar de esforço, defasagem do diesel deve continuar

Mesmo com subsídio de R$ 1,52 por litro que pode ser alcançado caso estados aceitem proposta do governo federal, valor não cobre diferença de R$ 3,00 no preço internacional. A análise é de Gabriel Monteiro, no CNN Novo Dia

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

O governo federal deve anunciar nesta terça-feira (31) a decisão dos estados sobre a adesão a uma nova subvenção ao diesel. A proposta prevê que unidades federativas e União dividam concessão de R$ 1,20 por litro, medida que se soma aos R$ 0,32 de redução já anunciada há duas semanas.

Segundo o analista Gabriel Monteiro, caso os estados aceitem a proposta, o valor total da subvenção chegaria a R$ 1,52 por litro. Somando-se a isso a redução de R$ 0,32 do PIS/Cofins, o governo estaria destinando R$ 1,84 para tentar conter a alta do combustível e garantir o abastecimento no país.

O principal objetivo da medida é evitar o desabastecimento de diesel, problema que já afeta alguns estados brasileiros devido ao descasamento entre o preço praticado pela Petrobras e o valor internacional. "A defasagem do diesel vendido pela Petrobras aqui é de R$ 3,00, segundo os cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis. Estamos 84% abaixo do preço de paridade internacional", explicou Gabriel.

Mesmo com os esforços do governo federal, ainda há um caminho considerável para que o setor encontre estabilidade. O mecanismo de subvenção também enfrenta críticas dos importadores, que precisarão vender o combustível a preços mais baixos e só receberão o reembolso cerca de 30 dias depois. Para um navio com 50 quilômetros cúbicos de combustível importado, o desembolso inicial seria de aproximadamente R$ 60 milhões.

Medidas adotadas no Brasil e no mundo

O Brasil não está sozinho na busca por soluções para conter a alta dos combustíveis. Diversos países ao redor do mundo têm adotado estratégias semelhantes. Polônia, Coreia do Sul, China, Croácia e Hungria implementaram teto no preço dos combustíveis e promoveram cortes de impostos. França optou por subsídios, enquanto Reino Unido oferece ajuda financeira para famílias de baixa renda.

Japão liberou reservas de petróleo para refinarias, e nas Filipinas já foi acionado o estado de emergência nacional. "Todos os países estão tentando se organizar para conviver com petróleo acima dos U$100, o que é bastante incômodo por um tempo muito alongado", destacou o analista.

As medidas de subvenção adotadas pelo governo brasileiro têm data para terminar: 31 de maio. Inicialmente planejadas para dois meses, o governo já admite que pode estender por mais dois meses, elevando o custo total para cerca de R$ 6 bilhões. Apesar do aumento nos royalties de petróleo e dividendos da Petrobras devido à alta do preço da commodity, as medidas representam um peso significativo para os cofres públicos.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
Acompanhe Economia nas Redes Sociais