Análise: Prévia da inflação acima do esperado desafia BC
Cenário é agravado pelo estímulo ao consumo e à demanda adotado pelo governo, especialmente em ano eleitoral
A prévia da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA-15, divulgada nesta quarta-feira (27), veio acima do esperado pelo mercado e acendeu um sinal de alerta para o controle de preços no país.
O resultado pressiona o BC (Banco Central) e torna ainda mais desafiadora a tarefa de calibrar a taxa de juros nos próximos meses.
Inflação pressiona alimentos, energia e remédios
Rita Mundim, comentarista de Economia do CNN Money, chamou atenção para o fato de que, dos nove grupos pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), oito apresentaram alta.
"Está pegando em alimento, está pegando em energia e está pegando em remédio", afirmou Mundim. "Então, está pegando naquilo que as famílias sentem mais", completou.
O único grupo que não registrou alta foi o de transportes, segmento que, segundo a comentarista, está sendo contido de forma artificial por subsídios do governo.
Mundim destacou que o preço do barril de petróleo está elevado no mercado internacional e que o subsídio governamental aos combustíveis não pode durar indefinidamente.
"O governo não tem dinheiro para ficar bancando o mercado internacional, porque o preço do petróleo é um preço definido por oferta e demanda em nível global", disse.
A comentarista acrescentou que, sem o subsídio, a inflação estaria ainda mais alta, e que vários bancos já projetam a Selic entre 13,75% e 14%, enquanto o boletim Focus aponta 13,25%.
A inflação, por sua vez, já é projetada acima de 5% por diversas instituições financeiras.
Para Mundim, o cenário é agravado pelo estímulo ao consumo e à demanda adotado pelo governo, especialmente em ano eleitoral.
"O Banco Central vai ter mais dificuldades ainda em controlar essa inflação, que já está projetada acima do teto da meta", avaliou.



