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Construção vê maior longevidade ao FGTS com limitação do saque-aniversário

Com nova regra, governo estima que cerca de R$ 84,6 bilhões deixarão de ser direcionados às instituições financeiras e serão repassados diretamente aos trabalhadores até 2030

João Nakamura, da CNN Brasil
Cédula de 100 reais sendo manuseada
Limitação era um pleito do setor, estudado pela iniciativa privada junto do ente público  • José Cruz/Agência Brasil
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Entidades do setor de construção veem um FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) mais resiliente após ser limitada a antecipação do saque-aniversário.

"É uma medida positiva, pois vem ao encontro da necessidade de estabilidade dos recursos do Fundo de Garantia para orçamentos futuros", avalia Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.

"O saque-aniversário é um problema para o setor porque, aliada à instabilidade orçamentária, direciona recursos que originariamente seriam destinados à habitação e infraestrutura fundamentais - para a dignidade humana - para bens de consumo", pontua.

A modalidade permite ao trabalhador retirar determinado valor do saldo do seu FGTS, anualmente, no mês de seu aniversário. Ela equivale a um empréstimo, de modo que o indivíduo não precisa esperar o mês do seu aniversário para sacar o dinheiro do fundo.

Hoje, os bancos oferecem a antecipação das parcelas do saque-aniversário, o que tornou o benefício um atrativo ao trabalhador, mas gerou distorções ao propósito do fundo, segundo os empreiteiros.

"O setor sempre defendeu que o FGTS fosse utilizado para as suas funções originais de salvaguardar o trabalhador e financiar habitação, saneamento e mobilidade, que são as premissas desde a fundação do FGTS. Qualquer outro uso acaba descobrindo um santo e cobrindo outros", afirma Renato Correia, presidente da CBIC (Confederação Brasileira da Indústria da Construção).

"Defendemos sim a restrição, [...] 75% do dinheiro antecipado fica com os bancos, é uma forma de ilusão ao trabalhador."

Com as novas regras, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) estima que cerca de R$ 84,6 bilhões deixarão de ser direcionados às instituições financeiras e serão repassados diretamente aos trabalhadores até 2030.

O Conselho Curador do FGTS pretende, com as restrições, preservar as contas do fundo e evitar que o trabalhador comprometa todo o seu benefício, que é utilizado como garantia em caso de demissão. O ponto de vista é compartilhado pelo setor de construção.

"Traz sustentabilidade para o Fundo, longevidade para que o trabalhador de baixa renda possa comprar sua primeira moradia. A medida vem a beneficio da baixa renda, trazendo mais longevidade e sustentabilidade para financiar num país que o déficit habitacional da ordem de 6 milhões de moradias", pondera Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

"É importante para o funding de recurso do FGTS, que financia o comprador do imóvel. [Com a limitação] terá mais sustentabilidade dos recursos do Fundo para financiamento habitação", reforça França.

As outras funcionalidades para as quais o trabalhador acaba redirecionando o saque-aniversário antecipado não devem ser prejudicadas, segundo o presidente da Abrainc, graças à disponibilização do crédito consignado, alternativa para que as pessoas com carteira assinada possam levantar recursos com garantia e taxas melhores que nas instituições financeiras.

A limitação era um pleito do setor, estudado pela iniciativa privada junto do ente público. Yorki, França e Correia concordam que a limitação é suficiente para sanar distorções geradas pela antecipação do saque-aniversário.

"Fazendo essa correção, o saque-aniversário pode continuar dessa forma", pontua o presidente da CBIC.

As mudanças entram em vigor no dia 1º de novembro, prazo necessário para que a Caixa Econômica Federal adapte seus sistemas às novas regras.

Com os ajustes, o limite mínimo é de R$ 100 e o máximo de R$ 500 por saque-aniversário. O trabalhador poderá antecipar até cinco saques-aniversário em um período de 12 meses. Dessa forma, o trabalhador poderá antecipar até cinco parcelas de R$ 500, totalizando R$ 2.500.

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