Desenrola 2.0 resolve o endividamento?
Programa deve impor restrições a crédito e permitir uso do FGTS para quitar dívidas
O novo programa do governo federal, Desenrola 2.0, está voltado à renegociação de dívidas e deve trazer mecanismos para conter o avanço do endividamento entre os brasileiros.
Em fevereiro o endividamento das famílias bateu recorde, com cerca de 80% dos lares com dívidas e quase 30% em situação de inadimplência, em meio ao alto custo do crédito, segundo pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio).
Entre as medidas em estudo, está a criação de “travas” para limitar o acesso a determinados tipos de empréstimo por beneficiários do programa, além da exigência de contrapartidas para evitar que as famílias voltem a se endividar.
Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.
Outra possibilidade em análise é o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar as dívidas, desde que o trabalhador consiga liquidar o valor total devido.
O saque, no entanto, será limitado a até 20% do saldo disponível na conta do trabalhador com carteira assinada.
Além disso, o acesso ao programa também deve ser restrito a pessoas com renda de até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8 mil por mês.
Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o programa pode aliviar o orçamento no curto prazo, mas não resolve as causas estruturais do problema.
“É um paliativo, pois não sabemos como seria sem o programa, mas não estamos mexendo na origem da dívida”, afirma.
Entre os fatores estruturais, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca o baixo nível de poupança no país e incentivos que acabam estimulando a inadimplência.
“Isso eleva a inadimplência e faz com que os juros subam para todo o sistema, especialmente para os bons pagadores”, observa Fontes.
Além disso, a cultura do parcelamento também é apontada como um dos principais motores do endividamento no país, ao ampliar o acesso ao consumo sem o devido planejamento financeiro.
“É preciso entender se é saudável parcelar tudo, pois as parcelas se acumulam e viram uma bola de neve, pressionando o orçamento e levando aos juros do cartão de crédito”, complementa Godoy.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


