Fitch eleva nota e Brasil fica a "dois passos" do grau de investimento; entenda

Entre 2008 e 2015, o Brasil foi reconhecido como um lugar onde se podia investir com alguma tranquilidade, com a classificação "BBB-" da agência

Danilo Moliterno, da CNN, São Paulo
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A agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou de “BB-” para “BB” a nota de crédito do Brasil nesta quarta-feira (26). Com isso, o país fica a "dois passos" de atingir o chamado "grau de investimento", que abarca os países com classificação entre "BBB" e "AAA", nota máxima, o chamado triple A.

Países e empresas normalmente perseguem o chamado chamado grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador que as agências de risco dão a estados e instituições.

Entre 2008 e 2015, o Brasil foi reconhecido como um lugar onde o investidor podia investir com alguma tranquilidade, com a classificação "BBB-" da agência, já dentro do grau de investimento.

Em dezembro de 2015, porém, em meio à recessão da economia brasileira, incertezas no cenário fiscal e elevação da dívida pública, a Fitch rebaixou o Brasil de "BBB-" para "BB+".

Cinco meses mais tarde, a agência voltou a reduzir a nota, para "BB". Em fevereiro de 2018, o Brasil se afastou ainda mais do grau de investimento, ao receber a classificação "BB-".

De acordo com comunicado da Fitch emitido nesta quarta-feira (26), o retorno do Brasil ao "BB" após cinco anos reflete um desempenho macroeconômico e fiscal melhor do que o esperado “em meio a sucessivos choques nos últimos anos, políticas proativas e reformas".

Entenda a classificação da Fitch

A Fitch Ratings publica classificações de crédito que são opiniões sobre a capacidade relativa de uma empresa ou governo de cumprir compromissos financeiros.

A escala de classificação de crédito da Fitch vai de "AAA" (mais positiva) a "D" (menos positiva). São utilizados ainda sufixos "+" ou "-" para indicar diferentes probabilidades de inadimplência.

Entre "AAA e "BBB" está enquadrado o chamado grau de investimento. O termo é usado para definir que uma instituição está em boas condições para receber investimentos.

Já entre "BB" e "D" está o chamado "grau especulativo". Essa classificação é dada  às empresas e governos que apresentam um risco maior de dar calote.

O grau especulativo assim é chamado porque a relação que os investidores têm com as instituições que recebem essa nota não é exatamente de confiança e segurança, mas muito mais baseada em riscos altos e, automaticamente, maiores remunerações.

Brasil a dois passos do grau de investimento

O Brasil chegou ao patamar "BB-" em meio à crise nas contas públicas, incertezas no cenário fiscal e dificuldades para fazer avançar agendas que melhorassem o ambiente econômico. Em fevereiro de 2018, por exemplo, o governo enfrentava obstáculos para fazer avançar a reforma da previdência.

O comunicado da Fitch afirma que, embora as tensões políticas desde o rebaixamento de 2018 ainda persistam, o Brasil alcançou progresso em importantes reformas para enfrentar os desafios econômicos e fiscais.

A agência explica também que a nova nota para o risco do Brasil é sustentada pela grande e diversificada economia do país, que tem alta renda per capita e mercado doméstico forte, além de um grande colchão de liquidez que sustenta a flexibilidade do financiamento soberano, com uma alta parcela da dívida em moeda local, o que dissolve riscos e exposições a variações cambiais.

Após a elevação de nota, o Ministério da Fazenda afirmou nesta quarta-feira (26) estar comprometido com “a agenda de reformas em curso” e seus impactos.

“A Fazenda reitera seu compromisso com a agenda de reformas em curso, que contribuirá não apenas para o melhor balanço fiscal do governo, mas também levará à redução das taxas de juros e à melhoria das condições de crédito, ao mesmo tempo em que assegurará a estabilidade dos preços”, diz em nota.

Dentre a agenda de reformas mencionada, a Fazenda destaca a reforma tributária, que foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda o retorno dos trabalhos legislativos para ser tramitada no Senado Federal.

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