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Haddad: Governo só dará apoio aos Correios com plano aprovado

Decisão final caberá ao Tesouro Nacional, responsável por analisar o plano e as condições financeiras da empresa; pasta negou pedido de empréstimo para a estatal nesta semana

Cristiane Noberto, da CNN Brasil, Brasília
Haddad explicou que a decisão final caberá ao Tesouro Nacional, responsável por analisar o plano e as condições financeiras da estatal  • Reprodução NeoFeed
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo só fará um aporte, empréstimo ou aval aos Correios após um plano de recuperação da estatal. Segundo ele, não haverá liberação de recursos sem contrapartidas claras e dentro das normas fiscais vigentes.

“Nós precisamos antes aprovar o plano de recuperação. Nós não vamos fazer um aporte sem o plano de recuperação aprovado. Nem empréstimo, nem apoio, nem aval. Tudo depende do plano de reestruturação da companhia”, disse a jornalistas na tarde desta quinta-feira (4).

Haddad explicou que a decisão final caberá ao Tesouro Nacional, responsável por analisar o plano e as condições financeiras da empresa. Ele indicou que o Ministério avalia alternativas, mas reforçou que não há solução automática.

Nesta semana, o Tesouro Nacional negou o pedido de empréstimo bilionário solicitado pelos Correios, que buscavam cerca de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa.

A operação, fechada inicialmente por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, Safra e ABC Brasil, previa juros de 136% do CDI — acima do que o governo está disposto a aceitar. 

O Tesouro sinalizou aval apenas com taxa menor, perto de 120% do CDI, o que levou a estatal a ter de renegociar a proposta com o consórcio de bancos.

Diante da negativa, os Correios voltaram à mesa de negociação exigindo redução de juros. O crédito é tratado internamente como "tábua de salvação" para uma empresa que acumula R$ 6 bilhões de prejuízo até setembro. 

Com a Selic em 15%, o custo original poderia chegar a 20,4% ao ano, enquanto o parâmetro desejado pelo governo reduziria a taxa para aproximadamente 18%. O financiamento seria pago em 15 anos, e a diferença de custo significaria economia relevante ao longo do contrato.

A estatal precisa de ao menos R$ 10 bilhões ainda em dezembro para fechar as contas de 2025, com os outros R$ 10 bilhões previstos para 2026, possivelmente em duas parcelas de R$ 5 bilhões. O Ministério Público junto ao TCU já havia alertado para o risco de juros excessivos nessa operação.

Para evitar que a situação pressione o orçamento do ano que vem, a equipe econômica solicitou ajuste na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, e o relator Gervásio Maia (PSB-PB) retirou R$ 10 bilhões da meta fiscal de 2025, abrindo espaço legal caso o governo precise intervir.

Segundo Haddad, a reserva é uma proteção, não uma autorização de gasto automático.

"Os 10 bilhões na LDO dão um respiro. É preventivo, se precisar usar. Mas precisa ter a previsão, senão você não consegue fazer", disse.

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