Kevin Warsh é confirmado como próximo chair do Fed
Kevin Warsh sucederá Jerome Powell, cujo mandato de oito anos, que termina nesta sexta-feira (15), foi marcado por diversas crises econômicas e atritos com a Casa Branca

Kevin Warsh recebeu nesta quarta-feira (13) a aprovação do Senado dos Estados Unidos para servir como o 17º chair do Federal Reserve, em um momento de crescente incerteza global.
Warsh sucederá formalmente Jerome Powell, cujo mandato de oito anos, que termina nesta sexta-feira (15), foi marcado por diversas crises econômicas e atritos com a Casa Branca para defender a independência política do banco central dos EUA.
Warsh foi confirmado por 54 votos a 45, em uma votação dividida principalmente por linhas partidárias, com apenas o senador democrata John Fetterman, da Pensilvânia, votando a favor da nomeação de Kevin Warsh. Foi a votação mais partidária para um indicado à presidência do Fed na história.
Warsh é amplamente visto como próximo ao presidente Donald Trump, que há muito tempo exige cortes nas taxas de juros, mas ele deve assumir o cargo em um momento em que as pressões inflacionárias se intensificam devido à guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. A inflação saltou para o nível mais alto em três anos em abril, de acordo com o último Índice de Preços ao Consumidor, e agora supera o crescimento salarial.
O choque energético está complicando as expectativas de um corte rápido nas taxas de juros, com os investidores agora prevendo que o Fed manterá a taxa básica de juros inalterada pelo resto do ano — ou até mesmo aumentará as taxas se a inflação piorar. Em 29 de abril, o Fed manteve os juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%, com efeitos da guerra no radar.
O presidente Donald Trump chegou a brincar no início deste ano que "processaria Warsh se ele não cortasse as taxas".
De qualquer forma, o chair do Fed representa apenas um voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Embora Warsh controle a pauta de todas as reuniões do Fed, ele não terá autoridade unilateral sobre as decisões da maioria do Comitê.
O que esperar de Kevin Warsh
Espera-se que a Era Warsh no Fed traga diversas mudanças para a instituição.
O futuro presidente do Fed propôs ou insinuou a redução do tamanho do balanço patrimonial do Fed, atualmente em US$ 6,7 trilhões; uma coordenação mais estreita com o Departamento do Tesouro em relação ao balanço; a redução do número de reuniões de política monetária anuais de oito para apenas quatro; a realização de menos coletivas de imprensa; a diminuição do número de funcionários do Fed em Washington; e a interrupção de divulgações frequentes sobre a trajetória das taxas de juros. Segundo analistas do JPMorgan, todas essas mudanças estariam dentro das atribuições de Warsh como chair do BC dos EUA.
A mudança de política mais desafiadora para Warsh pode estar relacionada ao balanço patrimonial. Há anos, Warsh afirma repetidamente que o Fed precisa reduzir a presença nos mercados financeiros, diminuindo o balanço patrimonial para permitir que os banqueiros centrais se concentrem principalmente na ferramenta tradicional — a taxa básica de juros — para combater a alta inflação e o alto desemprego.
Após a Grande Crise Financeira e novamente durante a pandemia, o Fed comprou milhões de dólares em ativos, como títulos do Tesouro, para apoiar a economia, uma política conhecida como flexibilização quantitativa.
Warsh acredita que tais políticas afetam a independência do Fed, uma vez que, essencialmente, equivalem a garantir o apoio do governo. Ele argumenta que o banco central deveria acelerar a liquidação dos trilhões em reservas, que incluem títulos lastreados em hipotecas e títulos do governo, o quanto antes.
Uma trajetória turbulenta até o topo
A busca de Trump por um novo presidente do Fed durou vários meses e terminou em um processo de confirmação que foi paralisado por algum tempo por um republicano importante. O senador da Carolina do Norte, Thom Tillis, exigiu que o Departamento de Justiça encerrasse uma investigação sobre Powell relacionada ao depoimento que o presidente do Fed prestou ao Congresso no ano passado sobre os custos excessivos de um projeto de reforma na sede do Fed em Washington, D.C.
A investigação do Departamento de Justiça alimentou os temores de que o governo Trump estivesse tentando influenciar a independência do Fed, o que abriria caminho para a interferência política na definição das taxas de juros.
Powell havia criticado veementemente a investigação, classificando-a como politizada e afirmando, em uma declaração em vídeo, que a investigação era consequência de "ameaças e pressão contínua" por parte do governo.
A investigação, liderada pela procuradora federal de Washington D.C., Jeanine Pirro, acabou sendo arquivada, embora Pirro tenha afirmado que poderá reabri-la caso o inspetor-geral do Fed encontre evidências de irregularidades ou negligência.
A primeira reunião de Warsh como chair do Fed está marcada para 16 e 17 de junho, com Powell, mantendo, ao menos por ora, uma cadeira como membro do Conselho.
Na última coletiva de imprensa dele como chair, no mês passado, Powell parabenizou Warsh e declarou que o apoiaria em tudo o que pudesse.
Os presidentes do Fed geralmente se afastam completamente do Conselho após o término dos mandatos, mas Powell afirmou que permanecerá no cargo até que a investigação de Pirro esteja totalmente concluída. O único outro ex-presidente do Fed a permanecer no cargo foi Marriner Eccles, em 1948, que ficou no Conselho por mais alguns anos.



