Dólar volta a fechar em R$ 5 com juros no radar; Ibovespa cai 2%
Bolsa encerrou em queda pelo 6º pregão seguido, revertendo os ganhos de abril

O dólar fechou a quarta-feira em alta e voltou ao patamar de R$ 5,00 com o real acompanhando o desempenho fraco de divisas pares em meio ao fortalecimento da moeda norte-americana e do petróleo no exterior, em um dia marcado por decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
O dólar à vista fechou em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0021 na venda.
Já o Ibovespa teve um dia de forte correção negativa, abaixo dos 185 mil pontos e revertendo os ganhos de abril. A disparada dos preços do petróleo no exterior, em meio a receios envolvendo a situação no Oriente Médio, apoiou a alta das ações da Petrobras, mas minou o apetite a risco, acentuando preocupações com a inflação e o crescimento global.
O Ibovespa fechou em queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos, no sexto pregão seguido de baixa e agora acumulando um declínio de 1,45% em abril. No ano, ainda sobe 14,66%.
Na mínima da sessão, o índice chegou a 184.504,18 pontos. Na máxima, marcou 188.709,96 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$ 28,94 bilhões.
"O pregão de hoje foi marcado por cautela global", afirmou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, destacando que o Ibovespa foi pressionado por movimentos de realização de lucros após a recente corrida em direção aos 200 mil pontos.
Dados da B3 continuam a mostrar saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$ 8,2 bilhões até o dia 27, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que fizeram o índice flertar com a marca inédita de 200 mil em meados do mês.
O dia foi de atenção aos bancos centrais do Brasil e dos Estados, que decidem o futuro da política monetária dos respectivos países.
A decisão ocorre em meio às incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio, iniciado após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, há cerca de dois meses.
O mercado ainda aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, com economistas estimando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,75%, mas um tom cauteloso no comunicado.
Os resultados corporativos no Brasil também estiveram no radar, com investidores repercutindo os balanços e perspectivas de empresas como Vale, WEG e Santander Brasil.
No campo geopolítico, a persistência das indefinições sobre um desfecho da guerra no Oriente Médio fazem o petróleo ter mais um dia de altas, com o Brent atingindo a maior cotação em um mês.
Também no radar estava notícia do Wall Street Journal de que autoridades dos EUA disseram que o presidente Donald Trump havia instruído seus assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado dos portos do Irã, em uma tentativa de forçar Teerã a capitular.
Nesta quarta-feira, Trump pediu que o Irã "fique esperto logo" e assine um acordo.
*Com informações da Reuters


