Bolsa fecha no positivo à espera de payroll e IPCA; dólar vai a R$ 5,38

A alta do Ibovespa foi impulsionada por bancos e Petrobras, a Vale faz o contraponto negativo

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (8) em meio a um cenário de maior aversão ao risco no exterior, ainda sob efeito do noticiário geopolítico. Os investidores ajustam as posições enquanto avaliam a agenda de dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos que serão divulgados na sexta-feira.

A alta do principal índice da bolsa foi impulsionada pela valorização dos bancos e da Petrobras, que acompanhou o avanço do preço do petróleo no exterior. No contraponto, a Vale fechou no negativo em linha com as perdas dos futuros do minério de ferro na China.

O Ibovespa fechou em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos.

Já o dólar, após oscilar em margens bastante estreitas, fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, com investidores posicionados para a divulgação de novos dados econômicos.

O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,04%, aos R$ 5,3892.

Em meio às incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve na condução de sua política monetária, os dados de emprego dos Estados Unidos ganharam destaque na agenda da semana. Mais cedo, foi divulgado que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego no país aumentaram em 8.000 na semana encerrada em 27 de dezembro, para 208.000 em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 210.000 pedidos para a última semana.

O mercado agora aguarda o relatório oficial de empregos, o payroll, que sai na sexta-feira (9) e pode dar mais pistas sobre o rumo dos juros nos EUA.

No Brasil, a produção industrial ficou estável em novembro ante outubro e cedeu 1,2% ante novembro de 2024. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,2% na comparação mensal e queda de 0,1% em base anual. A expectativa agora fica em relação aos números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que saem amanhã.

"A postura do Ibovespa é mais voltada aos ajustes de posições do que a uma tendência propriamente dita e definida, em um pregão de espera pelos números de amanhã", disse Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

Para Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, a semana é de cautela enquanto o mercado analisa os impactos da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e espera mais dados que possam indicam o futuro da taxa de juros.

"Com o noticiário mais esvaziado no Brasil, o mercado acaba seguindo mais o humor do cenário global. Os investidores ainda estão digerindo o que aconteceu no final de semana no campo geopolítico".

As repercussões do caso do Banco Master e a possibilidade de uma crise também ficam dentro da atenção do mercado. A incertezas sobre a liquidação do banco pode pesar sobre as ações do setor financeiro. Sob pressão política e institucional, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no Tribunal de Contas da União, decidiu suspender a inspeção determinada no Banco Central sobre o processo de liquidação do banco e submeter o tema ao Plenário da Corte

Indústria no Brasil

A produção industrial no Brasil ficou estagnada em novembro e frustrou a expectativa de um avanço, reforçando percepção de que o setor apresentou pouco fôlego em 2025 em meio à política monetária restritiva e ao tarifaço dos Estados Unidos.

A expectativa de economistas para o resultado de novembro, divulgado nesta quinta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), era de um avanço de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters, depois de alta de 0,1% em outubro

Contra o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 1,2%, ante expectativa de recuo de apenas 0,1%.

Assim, a produção industrial, que teve resultados próximos ou iguais a zero em quase todos os meses de 2025, ainda está 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego aumentou moderadamente na semana encerrada em 3 de outubro, sugerindo que as demissões foram relativamente baixas no final de 2025, embora a demanda por mão de obra tenha permanecido lenta.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 8.000 no período em relação ao nível da semana anterior, para 208.000 em dado com ajuste sazonal, de acordo com informações do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos nesta quinta-feira (8). Economistas consultados pela Reuters previam 210.000 pedidos para a última semana.

O total de solicitações da semana anterior a essa foi revisado ligeiramente para cima, de 199 mil para 200 mil.

*Com informações da Reuters

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