Análise: Há dúvida sobre real estado financeiro do BRB
Banco não divulga balanços há quase um ano e teve queda de 54% nas ações nos últimos seis meses
A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (16) o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa, em nova fase da operação Compliance Zero. A prisão estabelece uma conexão entre o escândalo financeiro do banco Master e o setor público, especificamente o BRB.
De acordo com o âncora do CNN Money Fernando Nakagawa, a nova fase da operação revela uma ligação entre o esquema fraudulento liderado por Daniel Vorcaro e o Banco de Brasília.
"Esta notícia hoje de manhã gerou muito impacto no mercado financeiro, porque é mais um nome relacionado ao caso Master, que era conhecido no mundo financeiro, conhecido na Faria Lima, e que se mostrou permeável às investidas de Daniel Vorcaro e seu esquema fraudulento", explicou.
Falta de transparência e queda nas ações
Um dos principais pontos de preocupação no mercado financeiro é a falta de informações sobre o real estado financeiro do BRB.
Nakagawa ressalta que o banco não divulga balanços há quase um ano. "Ninguém sabe o estado de saúde do BRB. Por causa disso, o investidor está punindo de maneira forte o Banco de Brasília", afirmou.
As ações do BRB caíram 54% nos últimos seis meses, enquanto outros bancos públicos registraram alta no mesmo período.
O Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo) subiu mais de 15%; o Banco da Amazônia, 16%; o Banco do Brasil, 18%; o Banco do Nordeste, 18%; e o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) 37%.
"Foi um período de glória para o setor bancário, todas as ações subiram, menos o BRB, esse foi punido", destacou Nakagawa.
Risco de insolvência e necessidade de capital
Outra preocupação apontada pelo ancora do CNN Money é a capacidade financeira do BRB para continuar operando. O Governo do Distrito Federal já reconheceu a necessidade de injetar capital na instituição, mas enfrenta dificuldades para conseguir empréstimos bancários.
"As tentativas da Secretaria de Fazenda, da própria governadora, não estão sendo bem-sucedidas. Eles não estão conseguindo empréstimos bancários para o banco. E diante disso, o GDF não tem dinheiro, de onde tirar dinheiro, então há muitas dúvidas sobre como o Banco de Brasília vai continuar com as portas abertas", alertou Nakagawa.
Segundo ele, o governo federal já manifestou que não pretende federalizar a instituição, o que pode levar a uma intervenção mais rigorosa do Banco Central, com consequências mais severas.


