Brasil é protagonista no setor de eventos, diz CEO da GL Events
Setor de eventos se consolida como motor da economia, com impacto direto na geração de empregos; São Paulo registrou crescimento de 22% em eventos de negócios no último ano
O setor de eventos tem se consolidado como um dos principais motores da economia brasileira, representando quase 4% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
No último ano, São Paulo recebeu mais de 250 eventos de negócios, registrando um crescimento de 22%. O impacto é direto na geração de empregos, sendo responsável por mais de 6% dos postos de trabalho no país.
De acordo com Milena Palumbo, CEO na América Latina na GL Events, o Brasil hoje é protagonista nesse segmento. A multinacional francesa que atua no Brasil há 20 anos considera o país estrategicamente relevante em suas operações globais.
"A América Latina hoje é a segunda maior operação do grupo, com um faturamento de R$ 1,2 bilhões. O Brasil, isoladamente, é a terceira maior operação do grupo em termos de faturamento", explica Palumbo em entrevista exclusiva ao CNN Money.
O país tem se destacado internacionalmente no setor. O eixo Rio-São Paulo tem apresentado um aumento de 50% em eventos internacionais nos últimos anos, segundo a executiva.
"O Brasil lidera o ranking da ICA, que é o International Congress and Convention Association, ocupando a terceira posição nas Américas como o país que mais recebe eventos", destaca.
Impacto econômico e diversificação
A GL Events atua em três grandes verticais de negócio: concessões de espaços públicos, produção de eventos e montagem de estruturas temporárias.
No Brasil, a empresa administra seis concessões em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, além de produzir eventos como a Bienal do Livro do Rio, que na última edição atraiu 740 mil visitantes em 10 dias. O impacto econômico desses eventos é significativo.
"Só para a gente ter uma ideia, no Rio, com o Rio Centro, vamos receber 7 congressos inéditos, que nunca vieram para a América Latina. Esses sete eventos vão ter um impacto, segundo uma pesquisa que a gente contratou junto com a Visit Rio, de 79 milhões de dólares de impacto econômico na região", afirma a Palumbo.
Desafios e tendências
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios relacionados a marcos regulatórios, questões geopolíticas e logística.
"A logística, o próprio impacto do querosene tem um impacto no nosso negócio, não só custo, mas também de participação e capacidade de receber marcas e visitantes", pontua a CEO.
A executiva ressalta que, após a pandemia, os eventos digitais não substituíram os presenciais, mas vieram para agregar: "O digital veio para agregar. Ele hoje é mais um componente de interação e de conexão com o público e com a comunidade que você atende".
A sustentabilidade também tem se tornado um diferencial competitivo no setor. Segundo Palumbo, "a questão da sustentabilidade vem cada vez mais agregando valor aos grandes players que conseguem implementar em suas jornadas de montagem e entrega".
Apesar da relevância econômica, a executiva considera que o setor de eventos ainda é subestimado: "É um setor subestimado, talvez mal interpretado, porque quando a gente fala do impacto desse setor, existe 50 segmentos ao redor desse setor de eventos que são impactados diretamente pelo turismo de eventos".


