Comprometimento de renda leva a inadimplência, diz CEO do Bradesco

Ao CNN Money, Marcelo Noronha afirma que banco ampliou crédito com critérios mais seletivos, vê potencial no Desenrola 2.0 e demonstra preocupação com juros elevados

Da CNN Brasil
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O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou ao CNN Money que o principal fator por trás da inadimplência não é necessariamente o nível de endividamento, mas o comprometimento da renda dos clientes.

Em entrevista, o executivo disse que é importante diferenciar dívidas de longo prazo, como crédito imobiliário e consignado, de modalidades mais arriscadas e com maior potencial de inadimplência.

“A gente olha muito para o nível de endividamento, mas olhamos principalmente para o comprometimento de renda”, disse Noronha.

O executivo destacou que uma pessoa pode ter uma dívida elevada, mas com prazo longo e juros menores, sem que isso represente necessariamente maior risco de calote.

Apetite a risco mais seletivo

Noronha afirmou que o banco vem revisando modelos e estratégias de crédito nos últimos dois anos, com uso intensivo de tecnologia e reforço das equipes da área.

Segundo o CEO do Bradesco, a carteira de micro, pequenas e médias empresas apoiada nos programas FGI e FGO, linhas com garantia do governo federal, cresceu 80,9% na comparação anual. Já o crédito consignado acelerou de 5% para 8,3% no mesmo período.

No cartão de crédito, o crescimento foi de 10,9%, concentrado em clientes de perfil considerado mais qualificado.

“O crédito pessoal sem garantia também é bastante seletivo e voltado principalmente a clientes preferenciais. Um cliente de alta renda eventualmente toma crédito pessoal por uma necessidade específica, mas com uma taxa muito menor”, explicou.

Sobre o cheque especial, Noronha avaliou que a modalidade perdeu relevância em relação ao passado, enquanto o cartão de crédito segue como principal instrumento de financiamento do consumo de curto prazo no país.

Desenrola 2.0 e renegociação de dívidas

O executivo afirmou que cerca de 18 mil pessoas haviam aderido ao programa Desenrola 2.0 até a véspera da entrevista.

Segundo ele, o programa contempla clientes com dívidas vencidas entre 90 dias e dois anos, oferecendo juros de 1,99% ao mês e descontos que variam de 30% a 90%, dependendo da modalidade.

Noronha afirmou ainda que o banco criou uma iniciativa complementar para clientes que não se enquadram nas regras do programa, como aqueles com renda superior a cinco salários mínimos ou dívidas acima de R$ 15 mil.

“Acho que ele tem tudo para ter mais sucesso do que o anterior, porque está sendo usado pelos canais do banco, que têm capacidade de comunicação direta com esses clientes potenciais”, afirmou.

Juros altos preocupam

Questionado sobre os efeitos de uma política monetária mais restritiva, Noronha disse ver com preocupação o cenário de juros elevados, especialmente para empresas mais alavancadas e com margens Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) comprimidas.

“O mundo ideal para a economia brasileira é que a gente veja essa taxa arrefecendo, caindo, com a inflação naturalmente controlada”, declarou.

Apesar disso, o executivo afirmou estar otimista com os resultados do banco, citando investimentos em tecnologia, maior engajamento das equipes e a expansão do segmento Principal, que encerrou o primeiro trimestre com mais de 500 mil clientes em processo de upgrade.

A expectativa do banco é superar 800 mil clientes nesse segmento até o fim de 2026, com abertura de novos escritórios nas principais cidades do país.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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