iFood Pago aposta em crédito para expandir negócio de parceiros

Braço financeiro do iFood voltado a pequenas e médias empresas ultrapassou marca de R$ 3 bilhões em crédito concedido no Brasil desde início da operação

Beatriz Oliveira, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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O iFood Pago, braço financeiro do iFood voltado a pequenas e médias empresas, ultrapassou a marca de R$ 3 bilhões em crédito concedido no Brasil desde o início da operação. Só entre abril e dezembro de 2025, foram desembolsados R$ 1,3 bilhão para restaurantes parceiros da plataforma.

Segundo dados divulgados pela empresa, a operação registrou crescimento de 55% na concessão de crédito ao comparar o primeiro trimestre deste ano com o quarto trimestre de 2025.

A expectativa para 2026 é acelerar ainda mais o ritmo, com previsão de crescimento entre 50% e 60% e desembolso superior a R$ 2 bilhões ao longo do ano.

"O empreendedor de restaurantes geralmente não tem acesso a linhas tradicionais de crédito. Muitos sequer consideram essa possibilidade. O que estamos oferecendo é crédito como investimento, permitindo que ele acelere a expansão do negócio", afirma o CEO do iFood Pago, Bruno Henriques, em entrevista exclusiva ao CNN Money.

De acordo com o executivo, cerca de 63% dos restaurantes que utilizam o crédito da plataforma não tinham acesso prévio a financiamentos em outras instituições financeiras.

Segundo Henriques, o diferencial da plataforma está no uso intensivo de dados gerados dentro do ecossistema do delivery para modelagem de risco.

"A gente conhece o comportamento do restaurante, a recorrência dos clientes e o potencial de crescimento daquele negócio. Isso nos permite conceder crédito com mais segurança", disse o executivo.

O CEO da plataforma afirma que a fintech estruturou uma equipe especializada em risco formada por profissionais do mercado financeiro e implementou comitês internos para aprovar novos modelos de concessão.

Além disso, a empresa adota um modelo de testes gradual antes de expandir novas linhas de crédito para toda a base de parceiros.

"Nós começamos pequeno, testando em grupos reduzidos de restaurantes e avaliando inadimplência e resposta do crédito antes de ampliar a operação", explicou.

A oferta pré-aprovada do iFood Pago já supera R$ 7 bilhões, embora o valor efetivamente utilizado dependa da adesão dos estabelecimentos às ofertas disponíveis.

Além do crédito, a conta digital do iFood Pago encerrou dezembro de 2025 com 166 mil clientes ativos, considerando usuários que realizaram alguma movimentação no mês, após a abertura de 88 mil novas contas entre abril e dezembro do ano passado.

A chamada “principalidade”, indicador que mede o uso da conta como principal relacionamento financeiro do parceiro, atingiu 12%, alta de 60% em relação ao início do ciclo.

Atualmente, a operação movimenta mais de R$ 4 bilhões por mês em transações dentro do ecossistema financeiro do iFood Pago, incluindo Pix e boletos, e soma quase 2 milhões de pagamentos mensais. O volume transacionado cresceu cerca de 60% na comparação anual.

Segundo Henriques, o crédito oferecido pelo iFood Pago possui dois objetivos principais: financiar expansão e servir como capital de giro em momentos de sazonalidade do setor de alimentação.

“O restaurante é um negócio apertado e sazonal. Em períodos como o fim do ano, muitos empresários precisam lidar com pagamento de férias, décimo terceiro e queda de demanda. O crédito ajuda o parceiro a atravessar esse período de forma mais saudável”, afirmou.

O ticket médio das operações varia conforme o porte e o histórico do restaurante dentro da plataforma. Segundo o executivo, há desde pequenos empréstimos de R$ 10 mil a R$ 20 mil para compra de equipamentos, até operações superiores a R$ 1 milhão voltadas à abertura de novas unidades.

Apesar da expansão da frente financeira, o CEO reforçou que o delivery continua sendo o principal negócio do iFood e que o braço financeiro funciona como uma alavanca para impulsionar o crescimento dos parceiros dentro do marketplace.

“O iFood Pago nasce acoplado ao delivery. Quanto mais o restaurante cresce, mais o marketplace cresce também. Existe um alinhamento de incentivos muito forte”, disse.

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