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    Petrobras divide governo e leva Prates a pedir reunião “definitiva” com Lula; entenda

    Um ponto que Prates pretende levar ao presidente é suposta interferência do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre o Conselho de Administração da companhia

    Jean Paul Prates, CEO da Petrobras
    Jean Paul Prates, CEO da Petrobras 2/03/2023REUTERS/Pilar Olivares

    CNN

    A possibilidade de troca no comando da Petrobras ganhou força nesta quarta-feira (4) após rumores de que Jean Paul Prates, atual presidente da estatal, teria pedido uma conversa definitiva com o presidente Lula. E executivo estaria incomodado com uma sequência de desentendimentos com o ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, e estaria considerando deixar o cargo.

    No capítulo mais recente da cisão, no início de março, o conselho de administração da Petrobras, que conta com forte influência do governo, barrou o pagamento de R$ 43 bilhões em dividendos extraordinários referentes ao quarto trimestre de 2023. O dinheiro foi enviado para um fundo que deve ser usado para remunerar acionistas, mas sem prazo definido de pagamento.

    A decisão levou as ações da petrolífera a derreterem mais de 10% no dia seguinte, em 8 de março, antes de governistas e membros da Petrobras entrarem em cena para apagar o incêndio. Ao explicar a decisão, Prates deixou claro que sua proposta era dividir 50-50, metade do valor para dividendos e outra metade para a reserva — o que foi negado pelo conselho.

    Um dos principais pontos que o Prates pretende levar a Lula, segundo apurou a analista de política da CNN Débora Bergamasco, é a suposta interferência de Silveira sobre o conselho da companhia. O executivo, segundo pessoas próximas, teria se queixado de temas de interesse da empresa não serem pautados sem que haja anuência prévia do ministro.

    Essa não foi a primeira cisão entre os quadros. No primeiro ano do governo, Silveira cobrou Prates publicamente pela redução do preço de combustíveis, em meio a quedas no valor do barril de petróleo e do dólar. O presidente da companhia não gostou e afirmou, por meio de redes sociais, que a União deve orientar a petrolífera por meio de ato normativo.

    Em outro capítulo, o ministro do MME afirmou que há “descuido” com a política de gás natural no país. Ele criticou a prática de reinjeção em poços e disse a matéria-prima tem sido tratada como “subproduto” da indústria. Prates respondeu: “Não tem gás sobrando e a Petrobras não sonega gás, o que tem de gás está aí no mercado”, disse à época.

    Briga vai além de Prates e Silveira

    Fernando Haddad, ministro da Fazenda, também entrou na briga para tentar resolver a disputa de poder dentro da Petrobras — o que dá sobrevida à posição de Jean Paul Prates. A consequência indireta disso deve ser um reforço significativo para o Tesouro Nacional.

    Se for solucionado o imbróglio dos dividendos extras, a Petrobras vai colaborar com pelo menos R$ 12 bilhões a mais para contas do governo até o meio do ano, um recurso que não está previsto no Orçamento, calculam fontes da empresa e do governo ouvidas pela CNN.

    Fontes da Fazenda informaram à reportagem que a diretoria da Petrobras deve entregar em breve os relatórios que embasariam o pagamento de pelo menos parte dos dividendos extraordinários sem prejudicar os investimentos futuros da Petrobras – motivo alegado pelo conselho para barrar a distribuição do recurso.

    Haddad está participando ativamente das discussões dentro da Petrobras e indicou Rafael Dubeux para o conselho no lugar de Sergio Rezende, que hoje é um nome ligado ao presidente Lula.

    Por outro lado, Rui Costa aparece aliado às posições de Silveira. Após a decisão sobre a retenção dos dividendos, ele disse “não ver polêmica na decisão”. “A regra foi votada, foi cumprido milimetricamente aquilo que foi votado um ano atrás”, disse, se referindo ao normativo que criou o fundo voltado aos dividendos extraordinários.

    *Publicado por Danilo Moliterno